As cativações orçamentais emergiram de assunto de somenos importância para a ribalta mediática e assumiram um papel central na trica política. Representam este ano, perto de mil milhões de euros (ou seja, cerca de 0,8% do orçamento de despesa).
Tricas políticas à parte, assim como desconhecimentos daqueles que dizem ter aprovado um orçamento diferente, as cativações não são, quanto a nós, mais do que uma artimanha usada por sucessivos governos para mascarar o mau planeamento, a má orçamentação e deixar alçapões no importante documento para manobras imprevistas de última da hora.
Se o processo de planeamento e em concreto o processo orçamental fosse rigoroso, obedece-se a critérios e objetivos estáveis, precisos e previamente estabelecidos, a 01 de janeiro de cada ano teríamos um orçamento livre de cativações, um exercício sobre a realidade, um exercício real sobre aquela que irá ser a execução financeira do ano económico, por conseguinte, um documento útil à gestão.
Do ponto de vista técnico sou contra as cativações pelo que ficou dito, mas também porque as cativações orçamentais são muitas vezes cegas, levam a empolamento dos orçamentos ou a restrições excessivas e criam uma discricionária atrofia no momento em que é necessário proceder à descativação, não só pelo forma e demora comum no processo, mas por serem alvo de uma análise e decisão de uma pessoa (ministro das finanças).