«Portugal
é, dos países europeus, um daqueles em que a taxa de poupança é mais
baixa, mesmo quando os rendimentos das famílias aumentam. As baixas
taxas de juro podem explicar parcialmente uma tendência para o
decréscimo da poupança, mas não explicam que, com semelhantes taxas, a
poupança em Portugal seja muito inferior à de congéneres europeus. Está
tudo de certa maneira ligado. Somos relativamente mais pobres que outros
países, temos porventura uma maior aversão ao risco e a aplicações no
mercado de capitais, por natureza mais volátil, e quando as remunerações
de depósitos ou de ativos com pouco risco é baixa, gastamos e não
poupamos. Esta a racionalidade económica individual, compreensível, mas
que já nos trouxe problemas no passado e que poderá voltar a trazer no
futuro se não tomarmos as devidas cautelas». («Portugal 2020: os limites
racionalidade individual»; Paulo Trigo Pereira in Jornal Observador)
Portanto, sobrevalorizamos o consumo presente em detrimento do investimento e/ou consumo futuro.
Mas
mais grave foi a situação que vivemos no passado, em que há baixa taxa
de poupança se somava um elevadíssimo recurso ao crédito, nomeadamente
ao consumo. A crise teve pelo menos esse mérito, levou os privados
(empresas e famílias) a recorrer menos ao crédito e inclusive a encetar
um processo de desalavancagem (redução do volume de crédito)
assinalável.
É caso para dizer que não poupar é mau, não poupar e recorrer ao crédito é pior!
Sem comentários:
Enviar um comentário