quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Não poupar é mau, não poupar e recorrer ao crédito é pior


«Portugal é, dos países europeus, um daqueles em que a taxa de poupança é mais baixa, mesmo quando os rendimentos das famílias aumentam. As baixas taxas de juro podem explicar parcialmente uma tendência para o decréscimo da poupança, mas não explicam que, com semelhantes taxas, a poupança em Portugal seja muito inferior à de congéneres europeus. Está tudo de certa maneira ligado. Somos relativamente mais pobres que outros países, temos porventura uma maior aversão ao risco e a aplicações no mercado de capitais, por natureza mais volátil, e quando as remunerações de depósitos ou de ativos com pouco risco é baixa, gastamos e não poupamos. Esta a racionalidade económica individual, compreensível, mas que já nos trouxe problemas no passado e que poderá voltar a trazer no futuro se não tomarmos as devidas cautelas». («Portugal 2020: os limites racionalidade individual»; Paulo Trigo Pereira in Jornal Observador)

Portanto, sobrevalorizamos o consumo presente em detrimento do investimento e/ou consumo futuro.

Mas mais grave foi a situação que vivemos no passado, em que há baixa taxa de poupança se somava um elevadíssimo recurso ao crédito, nomeadamente ao consumo. A crise teve pelo menos esse mérito, levou os privados (empresas e famílias) a recorrer menos ao crédito e inclusive a encetar um processo de desalavancagem (redução do volume de crédito) assinalável.

É caso para dizer que não poupar é mau, não poupar e recorrer ao crédito é pior!

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