terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Maquiagem Eleitoral Europeia


Definitivamente entramos em pré-campanha eleitoral, desta feita para as eleições europeias e não lusas. Nem precisamos de consultar o calendário, basta apenas estar atento aos sinais, as mensagens que nos vão chegando e à maquiagem que está a ser utilizada para tornar a realidade da UE numa figura esbelta.

A Europa é-nos apresentada como um caso de sucesso e de progresso. Agora, a leitura fina e articulada dos indicadores mais importantes já não conta. Os outrora incompetentes países do sul são bafejados com inúmeros elogios, apresentados como casos de faustoso sucesso, com descidas das taxas aplicadas aos financiamentos, indicadores económicos de todos os tipos para pintar a realidade como convém ou pelo menos tentar pinta-la de forma pouco racional. Até a malvada da Grécia está nova e a brilhar!


O Partido Popular Europeu e os seus candidatos precisam de bons números, de casos de sucesso, de provas que estavam certos nas políticas adotadas, de milagres, e outras maravilhas, de outra forma podemos assistir ao inicio de choques tectónicos ao nível da política europeia, ainda que a maior parte dos governos nacionais e concretamente a Alemanha não tenham intenções de mudar um milímetro nessa espiral.

Cá estaremos todos para o pós-eleições e para as ondas de choque provenientes da Grécia (com 3.º resgate dissimulado), provenientes dos restantes PIGS (programas de ajustamento), da questão Suíça (livre circulação de pessoas), a Ucrânia (qual o bloco escolhido) e do crónico problema britânico.
 
Andaremos entretidos e animados pelo espírito criado por estas eleições, até ao momento que a realidade não cor-de-rosa se abaterá novamente sobre nós!!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A radiografia às dívidas nacionais (Estado, Empresas e Famílias)


Entre Jun/2009 e Set/2013 as Famílias ajustaram-se rapidamente à nova realidade financeira trazida pela crise, as Empresas depois de um forte crescimento estancaram (ou foram obrigadas a estancar) o recurso à dívida e o Estado endividou-se de forma crescente.

A dívida total deste três agregados rondará os 680 mil milhões de euros (415% do PIB), ou seja, seriam necessários 4 anos de riqueza nacional para pagar toda esta dívida!

Vejamos as imagens gráficas:

Dívida das empresas
 


 Dívida das Famílias


Dívida Pública

As famílias portuguesas decididamente e de forma notável foram os atores que mais rapidamente reduziram a sua dependência face ao crédito. Segundo os dados a sua dívida é inferior ao PIB nacional (97%). 

Para estes dados muito tem contribuído uma maior dificuldade de acesso ao crédito (+caro e +curto), o encurtamento dos orçamentos familiares, o aumento da taxa de poupança ao invés de canalizar recursos para o consumo ou investimento em bens duradouros e recorrer ao crédito, mas estamos em crer que haverá muitos casos de maior consciência na gestão financeira familiar. Esta será agora mais planeada, ponderada, responsável e, por isso, preparada para incerteza dos tempos vindouros.

As empresas, numa primeira fase de resposta à crise, tal como o Estado, endividaram-se fortemente procurando sobreviver no paradigma em que viviam até aí, tendo estancado essa opção com o pedido de ajuda externa. Foram aqui obrigadas a encontrar outras fontes de financiamento (exportações) e/ou a reduzir custos, sendo que muitas outras acabaram por declarar falência.

Quanto ao Estado é a história que já conhecemos e que não vamos aqui voltar a dissecar (Bancos; BPN; PPP's; despesa descontrolada; desorçamentações; orientações europeias; crise global; etc.).


Fonte (gráficos): Jornal de Negócios online (28/Janeiro/2014),