Vaticinamos aqui no final do ano passado que este ano iríamos ter eleições antecipadas. Segundo as últimas movimentações parece que apenas erramos no ano já
que serão quase de certeza antecipadas.
O que nos surpreendeu então?
António Costa entrou atrasado na contenda; Seguro e companhia agarram-se ao poder no PS e ao cheiro a poder nacional (seja ele dividido com quem for) atrasando ao máximo a sua saída com truques e magias administrativas; Rui Rio ecplisou-se; o Governo agarrou-se como pode aos últimos grãos da areia que restavam debaixo de seus pés; e o senhor Silva fez questão de ir assobiando para o lado.
O que nos surpreendeu então?
António Costa entrou atrasado na contenda; Seguro e companhia agarram-se ao poder no PS e ao cheiro a poder nacional (seja ele dividido com quem for) atrasando ao máximo a sua saída com truques e magias administrativas; Rui Rio ecplisou-se; o Governo agarrou-se como pode aos últimos grãos da areia que restavam debaixo de seus pés; e o senhor Silva fez questão de ir assobiando para o lado.
E serão as eleições antecipadas por diferentes razões:
1. Desde logo,
porque interessam aos partidos do Governo (PSD-CDS). Estes encontram-se desgastados pela implementação do programa da troika, pelas desavenças internas, pelos sucessivos chumbos do Tribunal Constitucional, pela crescente falta de legitimidade inerente à aplicação de um programa de governo que não foi sufragado pelos eleitores, porque são partidos com interesses diferentes e ao que parece (como cheira a eleições) começam a emergir as diferenças políticas;
2. O PS não pode, não deve e não quer continuar à espera, correndo riscos de a melhoria dos números, a mudança de política por parte do PSD-CDS e o marasmo da liderança atual levarem a uma vitória pequena (um governo minoritário). À oposição vazia e sem balanço a que assistimos nos últimos tempos, sobressai agora um novo ímpeto, impresso pela aparição de António Costa (bem como a "artilharia pesada" que o acompanha) e a resposta venenosa do Tó Zé Seguro!
Estamos em querer que Costa não avança, principalmente com este balanço, por acaso. Não foi apenas a pequena vitória nas europeias que o moveu e demais palavreado de quem se apresenta como salvador. Foi antes a firme certeza que as eleições estão para breve e que as pode ganhar;
3. Os previsíveis novos chumbos por parte do Tribunal Constitucional, a dificuldade de encontrar medidas alternativas do lado da despesa e a quase impossibilidade de aumentar mais impostos (veja-se, p. e., que Espanha já os está a baixar);
4. O calendário eleitoral, tal como se perspectiva implica uma quase sobreposição de eleições legislativas, regionais e presidenciais (tudo no espaço de 6 meses), ainda com a necessidade de preparar e discutir o Orçamento de Estado para 2016 pelo meio;
5. Os ventos europeus parecem começar a mudar. Se não mudarem de orientação , de repente Passos Coelho e restante trupe ficam praticamente isolados a nível europeu (pelo menos na ortodoxia) na defesa de mais austeridade ou na sua perpetuação, assim como na falta de necessidade de renegociar as condições de pagamento da dívida e fermentar o incremento do PIB;
6. O Conselho de Estado do próximo dia 03 de julho, embora deva ter como principal intento alcançar consensos (algo altamente improvável tal é o estado a que chegaram todos os atores envolvidos), deverá ser antes o pontapé de saída para consensualizar calendário e os passos a tomar para essa antecipação;
7. Neste contexto, a dissolução da Assembleia da República não pesa na consciência e na "reputação " de Cavaco Silva, que assim suportará a sua decisão nas múltiplas vontades, no calendário apertado e responsabilidade quanto á necessidade de um "tranquilo" e responsável OE2015. Aproveita para fazer um brilharete final antes da sua retirada da política e das nossas vidas enquanto cidadãos, dizendo que é melhor devolver (ele) a palavra ao Povo.
Poderá ter, à sua tacanha maneira, uma saída em grande, satisfazendo tudo e todos, sem ficar para si com o ónus da dissolução da Assembleia!
Oxalá, porque a situação tal como está torna-se irrespirável para todos!
Oxalá, porque a situação tal como está torna-se irrespirável para todos!
