Há pela lusitânia quem goste de aplicar o método de caça às bruxas, de encontrar, à sua caricata e própria maneira, um culpado ou culpados para falhas, erros, omissões e especialmente para factos (muitas vezes crimes) objeto de investigação e/ou processo judicial.
Com base neste método, escolhido ou encontrado um culpado sumário, a nação serena e parece como viver em paz com a solução para o enigma, até à exigência de se encontrar um novo culpado para um novel caso.
Com base neste método, escolhido ou encontrado um culpado sumário, a nação serena e parece como viver em paz com a solução para o enigma, até à exigência de se encontrar um novo culpado para um novel caso.
Fala-se em justiça mediática, eletrónica, de uma justiça acelerada, de uma necessidade imediatista de encontrar justificações e culpados que façam levantar a névoa, sem cuidar dos efeitos que tal atuação pode trazer no médio/longo prazo.
Quiçá inspirados na justiça de pelourinho ou na ideia de administração participada no Estado, o português gosta de uma justiça "participada", "participativa", de opinião própria sobre um caso determinado que envolve alguém conhecido, de opinião pública ou similar.
Temos o prender primeiro e investigar depois; ser-se culpado primeiro, presumível inocente depois; condenado primeiro (na praça pública) fazendo-se justiça aos atos depois.
Em vez de se investigar de forma cuidada, profunda, processual e tecnicamente competente, de acusar para depois se julgar, de se considerar inocente o que alvo de acusação até decisão contrária, temos nalguns casos culpados logo à cabeça, que independentemente do desfecho do processo formal serão sempre condenados para quem optou por condenar sumariamente.
Nos últimos anos temos vindo a ser confrontados por um conjunto de processos judiciais ( a começar pelo Casa Pia, terminando mais recentemente no Caso Sócrates) mediáticos ou mediatizados que, por essa razão ou não, sofreram de alguns dos males que aqui referimos.
A justiça tem o seu tempo, não deve condenar inocentes e, por outro lado, deixar impunes os responsáveis por ilícitos ou crimes. Deixe-se a Justiça funcionar dentro do seu tempo e espaços próprios.
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