quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Gestão privada sinónimo de boa gestão?


Não necessariamente.

Vejamos...

Em ambiente de economia de mercado é normal considerar-se que a boa gestão é uma caraterística quase exclusiva da esfera privada, especialmente para os defensores da total primazia do mercado e dos seus agentes em detrimento da presença-ação do Estado na economia enquanto fornecedor de determinados bem e serviços.

Uma visão deste género, tende relevar que o mercado e seus atores se prestam a ineficiências, a erros de gestão, padecem das insuficiências reguladoras e das suas próprias perversidades.

Ora, a história e as diversas experiências internacionais e nacionais, dizem-nos que não é bem assim. Nem o Estado é sempre um mau gestor e mau provedor de bens e serviços, assim como a gestão privada não pode ser apresentada como espelho absoluto da boa gestão.

No caso português, recentemente, temos como exemplo a gestão ruinosa de grandes empresas como o BES, Portugal Telecom, entre outros bancos, mas temos também no plano privado inúmeros exemplos de empresas de pequena dimensão e até de famílias que sucumbiram ao primeiro sinal de alarme económico-financeiro ou foram progressivamente caindo em situações de difícil solvência face à gigantesca fatia de recursos financeiros futuros que tinham consumido no passado (vulgo crédito) deixando-as para lá da fronteira daquilo que diferencia a boa e a má gestão.

A verdade é que a boa e má gestão se revela em várias áreas, muito para lá da vertente financeira, sendo que esta acaba por ser quase sempre a razão final pela qual os negócios sucumbem.

Uma das outras vertentes que revelam má gestão, pegando agora no caso do momento, com contornos internacionais, é a má gestão da reputação e a manipulação deliberada do produto ou serviço que entregamos aos nossos clientes, levando à quebra de confiança e de valor na/da marca. Estamos claramente aqui a pensar no caso da VW (e ao que parece de outras gigantes marcas automóveis), que segundo se sabe manipulou deliberadamente caraterísticas relacionadas com as emissões poluentes das suas viaturas, enganando e infligindo prejuízos simultaneamente aos seus clientes, reguladores, governos, acionistas, concorrentes, cidadãos, ao ambiente e à economia e aos mercados financeiros.

Mesmo pegando em exemplos com caráter menos desviante, como é o caso da gestão hospitalar, nem sempre a gestão privada, se superioriza à gestão pública ou à gestão pública com vestes privadas.

Esta dicotomia de caráter generalista, sem querer apontar exemplos oriundos dos países nórdicos europeus, cada vez mais parece não passar de um mito. A má gestão pode verifica-se em qualquer contexto, seja ele público ou privado, não se podendo misturar a discussão sobre o mérito da gestão, com opções ideológicas e com aquilo que cada um considera que deve ficar a cargo das iniciativas pública e privada, qual extensão dessa presença e interação em ambiente concorrencial.

Na minha ótica, boa gestão significa atingir de forma plena, integrada e harmonizada os fins a que uma determinada organização (pública ou privada) se propõe adentro da sua missão, tendo em conta a utilização eficiente dos recursos à sua disposição em cada momento. Boa gestão significa eficácia, eficiência, qualidade, inovação, valores, mas também responsabilidade social e ambiental. Significa fazer mais e melhor otimizando a afetação dos recursos disponíveis/necessários.

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