Nota-se
alguma falta de harmonia nesta alargada luta pela (sobre)vivência que nos vai
trespassando de norte a sul.
Não
nos alegra as manhãs saber que vivemos num país onde a maioria das pessoas
sobrevive ou vive de forma bem diferente daquela como já viveu, aspirava ou
merecia viver. Pior do isso, onde reina a incerteza e confusão sobre o futuro
criada ao ritmo de soundbytes que desnorteiam ainda mais quem se quer
reencontrar.
Muitos
portugueses estão condenados à miséria ou à pobreza silenciosa e tentacular que
os vai invadindo e ainda outros à diminuição acelerada do seu
bem-estar/qualidade de vida, porque por simplesmente as oportunidades para
muitos novos e velhos estão aqui fora de questão ou porque os elevadores
sociais há muito deixaram de lhe abrir as portas.
Todo
este desarranjo alargado, cruel, castrador, transporta um clima de ausência de
harmonia. A esmagadora maioria teve/têm de se habituar a viver de forma
diferente contudo, apesar desta certeza alargada, os impactos individuais estão
ainda a ser processados/digeridos por cada um, ao mesmo tempo que está a
emergir uma espécie de nova ordem social.
Até
ao alcance de um novo fine tunning, não sabemos se melhor ou
pior, vai-se convivendo neste clima de ausência de harmonia, em que cada um
procura reencontrar o seu lugar, o seu novo equilíbrio/ritmo, esquecendo quezílias
vãs e procurando abandonar um regime de competição doentio e sem regras em nome
da (sobre)vivência.
Esperemos
que nova ordem social, independentemente das perdas materiais presentes e
futuras, possa afirmar-se como um enquadramento mais propício à felicidade, à
democracia, à prosperidade e a um estado de direito e de meritocracia
reforçados.
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