sexta-feira, 6 de setembro de 2013

(Des)Harmonia



Nota-se alguma falta de harmonia nesta alargada luta pela (sobre)vivência que nos vai trespassando de norte a sul.

Não nos alegra as manhãs saber que vivemos num país onde a maioria das pessoas sobrevive ou vive de forma bem diferente daquela como já viveu, aspirava ou merecia viver. Pior do isso, onde reina a incerteza e confusão sobre o futuro criada ao ritmo de soundbytes que desnorteiam ainda mais quem se quer reencontrar.

Muitos portugueses estão condenados à miséria ou à pobreza silenciosa e tentacular que os vai invadindo e ainda outros à diminuição acelerada do seu bem-estar/qualidade de vida, porque por simplesmente as oportunidades para muitos novos e velhos estão aqui fora de questão ou porque os elevadores sociais há muito deixaram de lhe abrir as portas.

Todo este desarranjo alargado, cruel, castrador, transporta um clima de ausência de harmonia. A esmagadora maioria teve/têm de se habituar a viver de forma diferente contudo, apesar desta certeza alargada, os impactos individuais estão ainda a ser processados/digeridos por cada um, ao mesmo tempo que está a emergir uma espécie de nova ordem social.

Até ao alcance de um novo fine tunning, não sabemos se melhor ou pior, vai-se convivendo neste clima de ausência de harmonia, em que cada um procura reencontrar o seu lugar, o seu novo equilíbrio/ritmo, esquecendo quezílias vãs e procurando abandonar um regime de competição doentio e sem regras em nome da (sobre)vivência.

Esperemos que nova ordem social, independentemente das perdas materiais presentes e futuras, possa afirmar-se como um enquadramento mais propício à felicidade, à democracia, à prosperidade e a um estado de direito e de meritocracia reforçados.

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