sábado, 26 de outubro de 2013

Rui Rio


Rui Rio deixou a Câmara do Porto, mas não deixou a polis, nem deixou o nosso país. 

Não deixou porque o seu legado e a fundamentalmente a sua pegada enquanto ator político, pela distinção face aos demais e há aquilo a que nos fomos habituando no nosso país, perdurará no tempo. Nada será como dantes ao nível da governança pública.

Não deixou porque Portugal e a política precisa de homens-cidadãos como ele, com o seu ADN. E ele fará (tem necessariamente de fazer), de uma forma ou de outra, parte do futuro do nosso país.

Independentemente dos erros e dos defeitos que lhe podem ser atribuídos, assim como as diferenças de prespetiva política, as virtudes e os sucessos reconhecidamente se sobrepõem. Existe uma certa unanimidade quanto a isso, e é acima de tudo justo reconhecer que este senhor não só foi um excelente autarca no Porto, como foi um exemplo da forma como o poder pode/deve ser exercido e qual a postura que deve presidir àqueles que passam pela cadeira da defesa do interesse público.

Só isto explica que na singular cerimónia de toma de posse do seu sucessor, os sentimentos e a emoção tenham sobressaído e inundado a sala. As palavras proferidas na ocasião espelharam isso mesmo e reconheceram o legado, as lágrimas também, mas o que fica de imaterial dos mandatos de Rui Rio é que este perdurará no tempo e, definitivamente, será algo que moldou o futuro e os nossos destinos.
 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Verdade na mentira?


Estaremos nós portugueses viciados na mentira? 

O conforto que esta nos oferece será a anestesia perfeita para atravessarmos/ignorarmos a difícil realidade e avançarmos no tempo em direção ao futuro, na esperança que este nos porporcione algo de melhor?

Só uma explicação deste calibre poderá explicar a forma como vamos reagindo às mentiras constantes que a classe política, com especial destaque para o Governo, vice-primeiro ministro do nosso país e entidades internacionais que direta ou diretamente conduzem ou influenciam os destinos do nosso país.
Primeiro foram no pós 25 de abril cerca de duas décadas de deixa andar, a fazer de conta que não víamos, que não sabíamos, que pelo menos algo não batia certo no reino dos milhões dos fundos europeus e do crédito bancário fácil. Depois lidamos bem com as falsas e incumpridas promessas de circunstância de um alargado político de circunstância e agora fazemos de conta não ver as descaradas, mal amanhadas, arrogantes e incompetentes mentiras com que nos presenteiam os nossos atuais governantes e a troika e demais nobilíssimos atores internacionais.

Deixamos passar, sem consequência, expressões como "eu
não minto, eu não ludibrio e ao não engano" e decisões irrevogáveis que têm mais revogável do que o seu contrário.

Há por aí um certo senhor democrata cristão, a quem se reconhece inteligência e capacidade política que falta a outros, que nos tem insistentemente mentido, enganado, ludibriando e, como se isso não bastasse, age e discursa de sorriso semi-rasgado na face, como quem goza com o pagode e se dá ao desplante de o fazer cada vez mais deliberadamente e de forma quase inimputável.

Porque continuamos a engolir, sem mais, estes sapos e insistimos a entregar a uma oligarquia os destinos deste estado-nação?

Porque não assumimos as nossas próprias responsabilidades?

Será que encontramos a nossa verdade na mentira?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"A democracia nasceu da luta dos contribuintes para serem cidadãos"


Se, como escreve Viriato Soromenho-Marques no Diário de Notícias de hoje, "a democracia nasceu da luta dos contribuintes para serem cidadãos", o que somos afinal no atual contexto? O que podemos chamar ao sistema (esquema talvez seja uma palavra mais adequado) que os imbecis que nos têm vindo a traçar e traçam o destino criaram? 

Em Portugal a palavra daqueles que nos representam (Parlamento, Câmaras e Assembleias Locais) e nós próprios deixaram de valer. Somos definitivamente números. Os tribunais e os reguladores são cada vez mais figuras de estilo. Nós deixamos de ter capacidade de decidir a nossa vida e futuro enquanto nação, sociedade e já em larga medida enquanto indivíduos?
Tudo, de carater justificado ou injustificado, e mais alguma coisa se sobrepõe à vontade e liberdade de um povo e do próprio individuo? Para onde caminham as nossas liberdades?

Como disse há dias Pedro Marques Lopes estamos em processo alargado e contínuo de bail-in, já que os potenciais visados de um potencial bail-out tiveram todo o tempo do mundo para retirar a mão debaixo do peso que os ameaçava esmagar e ainda tiveram oportunidade de ganhar alguma coisa com isso. Quem está e vai pagar, a bem ou mal a nossa dívida e os juros, somos nós e as gerações futuras. E vamos pagar muito mais do que isso.

Imaginem que começa a ganhar corpo uma ideia peregrina do FMI de aplicar aos desgovernados do sul da Europa uma taxa de 10% sobre todas as poupanças dos povos de forma a trazerem a percentagem da dívida para valores a rondar os 60%? Parece que esta já não é só uma mera ideia exploratória, trata-se de algo está a ser estudado e quem sabe preparado para avanças mais cedo do que tarde.

Vivemos definitivamente num novo sistema, talvez ainda não estudado e definido na plenitude, mas de cariz autoritário. Um só caminho, uma só solução, um conjunto restrito de gente capaz de fazer as coisas certas, bem feitas e de decidir, de analisar o resultado das decisões e as alterar ou manter sem interferência de terceiras instituições. O futuro, tal como planeado, é uma imposição que, se necessário, nos é enfiado goela abaixo.

O que restará após a passagem de um governo que tudo aniquila e que não respeita e está contra tudo e contra todos: instituições democráticas (Parlamento; Tribunal Constitucional; Presidente da República; partidos); funcionários públicos; velhos; novos; empregados; desempregados; patrões; concertação social; grandes, pequenas e médias empresas; estado social; mercado regulado; mercado livre; angolanos; chineses e outros potenciais investidores...?
Este governo está inclusive em guerra aberta com consigo próprio. Só restam a TROIKA e os agiotas encartados.

Aquando da entrada dos americanos no Iraque, Carlos Fino em direto e em primeira mão exclamava: "há um trovejar sobre Bagdad!". Lamentavelmente, parece que nunca como hoje começa a fazer sentido dizê-lo em relação a Portugal. Estamos a ser atacados com a artilharia pesada e destrutiva. Sendo curioso, adentro desta metáfora, que a guerra no Iraque em teoria visava implementar a democracia e aqui?

Resilientes mas nem tanto!