O rastilho para este post foi a intervenção de Pacheco
Pereira (alguém que tem vindo a demonstrar/clarificar quais os reais valores que presidem
à sua intervenção pública/política, e se tem revelado uma enorme surpresa
enquanto democrata, cidadão, ator político e fundamentalmente ser humano que se sente e sente os gritos surdos da sociedade) na última Quadratura
do Circulo, mas encontra a dinamite nas malfeitorias que se têm feito à
democracia, estado direito e à identidade do nosso país nos últimos 2/3 anos e
no caos social em que o país está mergulhado.
Por mais capacidade de sofrimento e interajuda que os portugueses evidenciem, quem não acha que atingimos o limite do sustentável?
Por mais capacidade de sofrimento e interajuda que os portugueses evidenciem, quem não acha que atingimos o limite do sustentável?
Uma larga maioria dos portugueses
com capacidade cívica plena acreditou que o atual primeiro-ministro, como alguém
que num ambiente de alternância democrática PS-PSD iria debelar todos os males
do nosso país criados ou não resolvidos nas últimas décadas, e por outro lado fuzilar
politicamente o sacana do homem com nome de filósofo que nos governou durante
meia dúzia de anos. Malograda certeza no vazio, transformada em desilusão real.
A realidade é que nos podem enganar
e mentir durante algum tempo (e maioria dos membros dos elementos que têm passado pelo governo fizeram-no descaradamente durante a campanha
eleitoral e durante a governança recente, com o suporte da troika), mas não nos podem enganar e mentir o
tempo todo, a menos que o deixemos fazer por masoquismo ou cegueira/fanatismo ideológico
ou partidário.
Os caminhos seguidos para provocar mais um ato de alternância democrática (eleições de 2011) e a forma elevada ao quadrado de resolver a crise (com ampliação/agravamento das medidas “negociadas”) provaram-se errados. Isso é cada vez mais claro para quem quiser ver.
Os caminhos seguidos para provocar mais um ato de alternância democrática (eleições de 2011) e a forma elevada ao quadrado de resolver a crise (com ampliação/agravamento das medidas “negociadas”) provaram-se errados. Isso é cada vez mais claro para quem quiser ver.
Muito do que tínhamos por fazer
antes da crise mantém-se por fazer. O pior é que quando (se algum dia o
fizermos) arregaçarmos as mangas encontraremos um terreno mais difícil e
lamacento para as sementes germinarem.
Independentemente das correntes,
ideologias e ideias políticas, o povo português sofre, e sofre mais do que
merece com a pobreza, com a perda de trabalho, com falta de cuidados de saúde e
acesso à educação, com a perda de rendimento engolido pelos impostos, com a
perda de bem-estar, com a quebra de confiança, a indefinição e acima de tudo
com a perda de esperança e de futuro.
Pior do que evidência, é que a preocupação dos responsáveis é pouco ou nenhuma. Teremos de esperar que o mercado, a seu tempo, resolva todos os desiquilibrios!
Pior do que evidência, é que a preocupação dos responsáveis é pouco ou nenhuma. Teremos de esperar que o mercado, a seu tempo, resolva todos os desiquilibrios!
Estamos a passar para lá da
fronteira da dignidade e a entrar na indignidade. A forma leviana e desligada
como se tomam as medidas em nome de inevitabilidades, da correção de desequilíbrios
diversos, de um futuro melhor diabolizando o passado recente são o espelho e consequência desse caminho.
Quem vive do trabalho, por infelicidade, velhice ou incapacidade de mecanismos de proteção social ou do seu próprio negócio transacionável ou não (isso pouco interessa quando o que está em causa é ter pão e capacidade para correr atrás das despesas essenciais, do pagamento de impostos, contribuições sociais e salários) está cada vez mais pobre e a viver uma desigualdade crescente interna e externa (fundamentalmente no seio da UE).
Quem vive do trabalho, por infelicidade, velhice ou incapacidade de mecanismos de proteção social ou do seu próprio negócio transacionável ou não (isso pouco interessa quando o que está em causa é ter pão e capacidade para correr atrás das despesas essenciais, do pagamento de impostos, contribuições sociais e salários) está cada vez mais pobre e a viver uma desigualdade crescente interna e externa (fundamentalmente no seio da UE).
Para percebermos como chegamos
até aqui, temos de ir à raiz dos problemas, não ficar pela rama e
pelos chavões. Todos, sem exceção e na medida das nossas possibilidade, temos essa responsabilidade. Urge passar ao concreto em detrimento do abstrato, do macro ao
micro, do vago ao preciso… para podermos escolher e parar a não escolha em
nome de evitar sofrimentos/consequências maiores no imediato. O futuro, a 10, 20,30 ou 50 anos é aquilo que mais interessa. Chega de imediatismos, de culpabilização e lixamento público de Portugal e portugueses.
Há necessariamente responsabilidade
e culpa a assumir pelos portugueses (em última análise será sempre nossa), mas
também hoje consensual que outros atores contribuíram/em solidariamente para o quebrar da fronteira da
(in)dignidade, desde logo pelo enquadramento comunitário em que fomos envolvidos. Disso há evidência política e acima de tudo numérica/instrumental.
Cada dia que passa estamos mais fundo neste poço, como tal mais distantes da saída.
Cada dia que passa estamos mais fundo neste poço, como tal mais distantes da saída.
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