quinta-feira, 24 de julho de 2014

ERA uma vez "O Dono Disto Tudo"


Sem querer maçar ninguém com o passado, presente, futuro ou com as histórias, os factos e outras torrentes de dados diariamente disponibilizados sobre O Dono Disto Tudo, gostava apenas de marcar esta simbólica data (24/07/2014), com o pretérito imperfeito do verbo Ser na terceira pessoa do singular aplicável ao referido: ele ERA!

Depois da família, dos contabilistas e outros colaboradores de confiança, dos parceiros, dos sócios, dos políticos, dos reguladores, dos chefes de estado e de governo, dos financiadores, dos amigalhaços, e outros para quem "o Ricardo" era Deus na terra terem batido com a porta, chegou a hora da Justiça abrir essa porta e resgatar o país e a sua economia de uma das principais fontes asfixia.

 Agora é tempo da Justiça, aguardemos serenamente por ela.


Nota: sobre este tema não posso deixar, a quem tiver paciência, de sugerir a leitura de «A História do Banco do Meu Avô», publicada no blogue Aventar, e ainda «A queda de um Santo» de Pedro Santos Guerreiro (Expresso)

terça-feira, 22 de julho de 2014

Aceitar a realidade financeira


No nosso país, a esmagadora maioria dos portugueses viram nos últimos 5 anos as suas condições de vida presentes e no futuro próximo pirarem de sobre maneira.

Muitos de nós, do ponto de vista económico e financeiro, tem hoje de fazer melhores e mais ponderadas escolhas. Outros, infelizmente, deixaram de poder escolher ou têm menos possibilidade de efetuar escolhas face ao passado pré-crise.

Falar do tema das escolhas económicas conduz-nos diretamente à questão do seu financiamento.

E aqui, sabemos que em Portugal durante largos anos se financiaram (a todos os níveis) investimento e consumo com rendimentos futuros, suportados em crédito acessível, abundante e barato. Muitos desses rendimentos não existem hoje, não existirão no futuro ou não serão suficientes para cobrir os custos do passado e simultaneamente do presente.

Pior do que encontrar casos que se encaixam num destes cenários que retratamos (equivalentes à falência ou falência anunciada), temos algumas bolhas de organismos ou famílias que continuam a viver como se o mundo não tivesse mudado, não só o mundo que as rodeia como o seu próprio mundo.

Falidos ou pré-falidos não gerem, não querem gerir ou gerem de foram incompetente, ignoram que a realidade mudou e que terão de viver com aquilo que são capazes de gerar.

Pode ser duro para alguns, novidade para outros, mas sem resignações temos todos de aceitar a realidade e de a enfrentar!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Sobre natalidade... (parte II)


Já aqui tínhamos apontado o tema da natalidade como um dos principais desafios para os próximos tempos, e dedicado um post (ler aqui) a este tema, com recurso a um exemplo dinamarquês de promoção da natalidade e a um caso de uma empresa multinacional da área da puericultura a atuar em Portugal com dificuldades em enfrentar a recessão do seu mercado.

Nos últimos dias, temos sido bombardeados com notícias na comunicação sobre políticas públicas direcionadas para a promoção da natalidade e da família. Apesar destas se encaixarem no método de tomada de decisões caraterístico do Governo em funções (lançar ideias/intenções na praça pública, sentir o pulso, colher reações e depois tomar medidas que muitas vezes nada tem que ver com o anúncio inicial), não podemos deixar de aplaudir a orientação e até de considerar interessantes algumas das intenções lançadas na opinião pública.

Muitos sairão prejudicados e farão lobby contrário (casais/indivíduos sem filhos e que os que não pretendem ter), mas uma forma diferente de distribuir as obrigações fiscais e o bolo orçamental tendo por base este princípios será logo à partida benévola para todos.

O Governo já deu o sinal de partida. A parte crítica é que este avanço do Estado é apenas um dos impulsos necessários. Sem o acompanhamento de impulsos provenientes dos agentes económicos e dos indivíduos, de pouco ou nada valerá tendo em vista o fomento da natalidade.

Certamente trará benefícios às famílias que já têm filhos menores ou que estão em alargamento, mas dificilmente trará efeitos no curto/médio prazo e residuais no longo prazo.

Somos da opinião que é preciso mudar também mentalidades e uma certa cultura quase anti-natalidade que se foi instalando nas organizações empregadoras, nos casais, nos indivíduos e na sociedade em geral, ao ponto de os filhos e as novas famílias com filhos no nosso país serem quase uma espécie em risco de extinção.

De prioridade (até ao inicio do novo milénio), ter filhos passou a ser uma prioridade adiada, depois a um problema face às dificuldades da vida e torno-se nos últimos anos como uma faceta da vida não desejada ou indesejada por muitos casais e indivíduos. E o mais grave, segundo vão relatando os estudos publicados e as opiniões que vamos colhem na teia de relações pessoais, é que esta cultura parece que veio para ficar e não raras vezes o comportamento é de tal forma egoísta que muitas pessoas se aliaram completamente do impacto que deste caminho e chegam ao ponto de identificar como menos competitivos e até discriminar os indivíduos/casais com filhos.

Sociedades/países sem crianças, sem renovação de gerações, são países sem futuro, são sociedades incompletas, porque não deram continuidade ao legado do passado, morrem paulatinamente no presente e comprometem decididamente o futuro dos presentes e da própria sociedade. 

Não é preciso ser letrado ou cientista para perceber isto, e para perceber que os impactos logo no presente da opção em análise. Os efeitos começam a ser conhecidos (ex: incapacidade de pagamento na totalidade de pensões dos mais velhos e incerteza quanto ao pagamento das pensões dos atualmente em idade ativa; investimentos e recursos existentes e dedicados à educação são crescentemente dispensáveis; economia começa a abrandar com as quebras de poupança, investimento e consumo dos presentes; escassez de mão-de-obra para trabalhos mais pesados; perdas na inovação).

Aparentemente e enquanto os desequilíbrios não se fazem sentir de forma aguda, com a entrada progressiva de menos jovens e sem renovação de gerações, até pode ter-se a sensação de se viver melhor, com um bem-estar ser superior (para quê mudar?!). Algo que ate pode ser verificável durante algum tempo, já que a riqueza e meios ao dispor são distribuídos por um número menor de indivíduos. São direcionados para a fruição e consumo presente, dado que não interessa deixa-los para fruição, consumos ou investimentos futuros.

Um filho para além das suas dimensões humanas e emocionais, é acima de tudo um dos principais investimentos que fazemos na nossa vida. Um investimento de longo prazo, com enorme retorno presente e futuro e um importante legado que devemos entregar à sociedade que nos acolheu, por forma a dar continuidade a um processo natural de continuidade.

Um bilhete que garante a perpetuidade desta viagem humana pela vida. Uma viagem que se quer com passado, presente e futuro!