segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O tempo da guerra e da hipocrisia do mundo ocidental/civilizado



Quantos de nós não ouviu os mais velhos, as nossas avós ou os nossos avôs, dizer "eu ainda sou do tempo em que...".
 
Frase aliás celebrizada por anúncio de TV nos últimos anos.

Expressão que remete para o passado. Para uma experiência, vivência ou facto marcante, comparado/a com o presente longínquo.

Hoje podemos dizer que somos do tempo da guerra. Da sua proliferação por vários pontos do globo (Síria, Ucrânia, Israel-Palestina, Iraque e Líbia), com o mundo ocidental e dito civilizado a fazer de conta que os conflitos não existem ou monitorizar/intervir à distância, a minimizar os impactos destrutivos para os cidadãos locais e para o mundo.

Heroís como James Foley e outros jornalistas de guerra, em conjunto com órgãos de comunicação social, procuram trazer-nos um pouco da verdade que os regimes em queda ou em ascensão, bem como os estados ocidentais nos procuram esconder ou filtrar. Lutam diariamente por sensibilizar o mundo que a guerra, a barbárie, o sofrimento e a morte de pessoas inocentes e indefesas proliferam pelo mundo, que estes estão à porta (senão no seu interior) do "mundo civilizado", que é preciso agir de forma humana.
 
Posso hoje dizer às minhas avós, aos meus filhos, assim como eles me podem repetir, que somos do tempo da guerra, do tempo da hipocrisia do mundo ocidental, dito civilizado, do mundo que intrevem apenas e na medida dos seus interesses económicos, geoestratégicos e políticos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Contar tostões... contar milhões...


A esmagadora maioria por necessidade ou dificuldade, outros por ganância, avareza, estatuto ou poder, conta respetivamente tostões ou milhões.

  Somos hoje e cada vez mais escravos do verbo contar.

Mas não só, temos a jusante o verbo gerir, consumir, investir e outros verbos similares.

Verbos instrumentais como os que citamos capturam o espaço do verbo viver. Renomeiam esse espaço com o verbo sobreviver.
O sistema impõe-se.

Nós aceitamos essa imposição.

Passamos maior parte do tempo dedicados a tarefas de contagem de tostões ou milhões.

Somos culpados dessa perda de tempo. Aceitamos o acelerado e concorrencial processo de utilização dos recursos planetários. A problemática/necessidade de contar tostões/milhões, apesar das distorções, é reflexo desse processo.

Está nas mãos dos criadores a possibilidade de mudar o verbo mote. Assim confluam as vontades e se alterem as prioridades.

Nota: Apesar da sensibilidade e reconhecimento da importância da gestão dos recursos escassos, essencialmente por vocação e defeito profissional, não me posso rever nesta completa sobreposição do instrumental face ao essencial.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre Transparência...


Embora tenha melhorado muito nos últimos anos, Portugal ainda lida mal com este conceito, com esta necessidade.

Mal ao nível das instituições públicas, com os diversos organismos a manifestarem indisponibilidade ou incapacidade para tornar a sua atividade mais transparente, perceptível e escrutinável aos olhos do cidadão ("cliente" e "acionista").

Mas também a nível privado isso sucede. Não só porque muitas vezes em áreas com impacto geral/público (caso dos partidos políticos ou dos bancos), mas também em negócios estritamente privados em que a falta de transparência retiram capacidade aos stakeholders para aferir da boa ou má gestão, prevenir problemas ou resolvê-los/evitá-los antecipadamente (veja-se p. e. o recente caso das perdas em bolsa por parte dos investidores no BES e os investimentos em dívida da Rioforte).

Este tema é fulcral num país que vive essencial e direta ou indiretamente do impulso do Estado e do e seu impulso económico (ação/negócios do Estado, com este envolvido ou sendo este o responsável), mas onde todas as vigilâncias, monitorizações e um processo de accountability denso também ao nível da gestão dos negócios privados pecam sempre por defeito e não por excesso.

Ainda há poucas semanas atrás, observamos dois passos contrários nesta senda. Por um lado, o governo lançou o portal da transparência para os municípios e, por outro, o partido socialista, através das duas candidaturas às diretas do partido, pisa a linha vermelha com o financiamento das campanhas a ser ainda opaco como habitual.

O pior não é o facto de não serem públicos e escrutináveis todos os orçamentos de campanha, é não se aceitar como natural o princípio/dever de transparência. São as pseudo justificações que os responsáveis de campanha e financeiros arquitetam para disfarçar a falta de transparência, e ainda o facto destes considerarem correto, transparente e em linha com as necessárias poupanças que a título pro bono sejam disponibilizados recursos às campanhas (por exemplo, sabe-se que Costa utiliza na campanha carros emprestados por benfeitores).

Como diz um reconhecido professor da nossa praça: "não há almoços grátis!". O PS e seus candidatos sabem disso, pedia-se por isso outro progresso nesta matéria.