No mundo em que vivemos, mas sobertudo face à relidade política e económica carateriza o nosso país e a UE, a célebre expressão pensar/agir fora da caixa, nunca como hoje fez tanto sentido.
Construtores de castelos de areia, impõem-nos a ideia que o futuro só tem uma forma de se construir, que não há método ou material alternativo e que caminho diverso do que defendem representará o regresso ao passado e muito provavelmente à desgraça.
As evidências, sim os factos e os números, e não as ideais pré-concebidas sobre a realidade imaginada, vêm demonstrando que estavam, estão e muito provavelmente estarão enganados se não mudarem entretanto de opinião.
Vítor Gaspar (ex ministro das finanças) soube reconhecer o erro e deixou espaço para que pelo que caminho surgissem novos interpretes, novas e diferentes políticas, novas e frescas formas, novos olhares, novas prespetivas e ângulos de observação da realidade, das quais necessitamos urgentemente.
Desde logo, há, tem de de haver, tem de ser criado, espaço para o pensamento, opinião e ação diferente do padrão. De ambos os lados da barricada, espera-se que não haja radicalismos, descredibilização, discriminação ou refutação imediata. Nos dias que correm tende-se em termos políticos e ideológicos, logo à partida, com argumentos sustentados na visão vigente (status quo), a descredibilizar essa diferença, transformando a realidade numa janela monocromática. Algo muito negativo e até perigoso, dado o clorido que carateriza o mundo e necessidade de respostas nessa linha.
Os media, mas também o comentário político são exemplo acabado desta leitura unívoca da realidade. É certo que o poder dominante tem no nosso país tendencialmente um peso superior ao nível do comentário e que os jornalistas têm dificuldade em descolar dos postulados solidificados pelas lideranças no poder, mas neste momento existe uma exiguidade gritante ao nível do comentário.
Deu disso nota na comunicação social Augusto Santos Silva. A seu jeito, apontou o dedo à falta de espaço para a visão alternativa.
É verdade que aqui e ali vamos lendo textos e ouvindo opiniões que defendem a necessidade de abrir o leque, o espaço, sobre a necessidade de ter um jornalismo que descole da corrente vigente (que escalpelize factos), que os analistas e os comentadores sejam capazes de critivar construtivamente a realidade. Mas fez-se ainda muito pouco.
Isto num tempo em que o próprio Vítor Bento, reonhecido economista (orientado à direita), defende/emite opinião diversa da que defendida anteriormente ou da que defende o governo, a Alemanha e vasta parte da Europa comunitária.