segunda-feira, 30 de março de 2015

Pensamento do dia...


Tal como as viaturas que, em função dos anos de circulação, não podem entrar em determinadas zonas da cidade de Lisboa, também na política dava jeito que os políticos com mais de x anos de circulação, por decreto, fossem impedidos de poluir o sistema democrático (nomeadamente através da impossibilidade de se aceitarem de cargos públicos), promovendo-se assim a regeneração com a entrada de novas e frescas ideias/ideais.

 Porventura, 20 anos seria um limite mais do que suficiente para proceder a uma profunda regeneração e, quiça, deixaria alguns dos profissionais visados em algumas (para não dizer sérias) dificuldades, mesmo no caso daqueles que alegam conhecer profundamente e idolatram os valores supremos do mercado.

segunda-feira, 23 de março de 2015

O Lobo de Bruxelas



Depois do Lobo de Wall Street, filme que retrata a ascensão e a queda meteórica do corretor Jordan Belfort, personagem que após condenação judicial passou a dedicar-se à pedagogia sem fins lucrativos sobre como vender com sucesso, temos a agora o Lobo de Bruxelas.

Sim, Jean-Claude Juncker, atual presidente da Comissão Europeia e antigo primeiro-ministro luxemburguês, também tem o seu quê do lobo, pois durante anos a fio promoveu ao comando do pequeno estado europeu uma política fiscal desleal para com outros estados membros da União Europeia, que enriqueceu as suas contas públicas, favoreceu as empresas privadas que deslocalizaram os seus lucros afim de pagarem menos impostos, e prejudicou países onde estas desenvolviam as suas atividades. 

Não é conhecida qualquer condenação judicial, mas ao que parece Juncker já se auto-condenou ou pelo menos o peso moral da opção levaram-no, nas atuais funções, a quer reparar, para futuro, o mal feito com a promoção de um pacote de medidas que visam promover a transparência fiscal e visam combater as práticas fiscais das grandes empresas multinacionais que assinam acordos preferenciais com vários estados-membros para pagarem menos impostos.

Mais um lobo em pele de cordeiro. Qualquer dia temos um rebanho!

A este propósito ver, p. e., a recente notícia do jornal Público: http://www.publico.pt/economia/noticia/comissao-europeia-apresenta-proposta-para-promover-transparencia-fiscal-1689536

segunda-feira, 9 de março de 2015

“Faz o que eu digo, não faças o que eu faço”


A autoria da expressão “os portugueses viveram acima das possibilidades” é sobejamente conhecida.

Ora, reconhecendo a aplicabilidade da expressão a muitos situações do conhecimento geral e que cada um terá em particular (a dívida privada e pública não deixam mentir), a expressão contém em si mesma uma cavalar dose de moralismo.

Hoje só resta a dúvida se o seu autor se autoexcluía do grupo, pois sabemos que também ele viveu acima das suas possibilidades. Se assim não fosse não necessitaria de financiar os seus faustosos gastos pessoais com impostos e contribuições sociais que não pagou/entregou em tempo. Sim, não estamos a falar financiamento privado, no mercado, como tanto advoga a personagem. Estamos a falar de crédito concedido pelo Estado, sem contrato e com base numa unilateral vontade.

Só um país que contínua em estado de necessidade (e o facto da nossa dívida ser ainda classificada como lixo, apesar das baixas taxas que por ela são exigidas, são disso espelho, tal como os números da economia), que tem regime democrático doente (sem alternativas), um presidente da república inexistente aguenta um primeiro-ministro nestas condições, especialmente depois de tudo o que vivemos no plano social, económico, político e institucional nos últimos anos.

quinta-feira, 5 de março de 2015



Parece vivermos um momento de confluência na História neste ano de 2015 em que tudo converge e parece poder contribuir para um choque total entre tudo e todos.


Todos nós que temos falado e pensado nestas questões nestes últimos anos nos lembramos ter já anteriormente pressentido estar nas vésperas de um cataclismo nacional, regional e/ou mundial.


Sucede que o mesmo nunca veio, felizmente, mas por razões que eu pessoalmente ignoro. Ou então veio mas veio de uma outra forma e gerando efeitos e danos menos visíveis logo no imediato.


Questão parece ser que desta feita algo de novo parece existir, bastando lançar os seguintes tópicos, sem mais: Isis/Isil, Boko Haram, Putin, Irão, Líbia, …


Ou, no que seria o outro bloco – o nosso: Obama, Netanyhau, Merkel, Hollande, Abbot, …


Esperança e crença, porém, sempre: por exemplo, o regresso da política na Europa por via da Grécia? Hoje mesmo Juncker disse que, não fossem outros, ao menos o PM da Grécia teve desde já o mérito de fazer as questões certas




O retorno à base pressente-se poder estar nesse fazer as perguntas, em especial as que apontam à raiz: Porquê? Para quê? À custa de quê?


Em Portugal, alguém está a fazer tais perguntas…? Alguém, aliás, está em condições de fazer tais perguntas? Possivelmente estarei apenas precisando de uma ou muitas candeias que me alumiem!


Ou, na frieza do que se entrevê no discurso cifrado e da semiótica do marketing político, caminha-se uma vez mais em eciana campanha alegre? Rumo – claro - à parede!

quarta-feira, 4 de março de 2015

As limpezas na Administração Pública continuam...



In Jornal de Negócios (04/03/2014)

O paciente (Estado Português) encontra-se gravemente doente. São conhecidas várias patologias  estruturais... sabe-se agora que alguns dos seus principais órgãos executivos padecem afinal de graves inflamações infringidas por agentes internos e não apenas exógenos.

O sistema imunitário procura dar resposta e restabelecer a normalidade possível, mas os ataques endógenos são cruéis traidores.
 
Será esta cascata de casos de policia e judiciais a que temos vindo a assistir fruto da evolução da nossa democracia e o estado de direito em plena operação? Ou será apenas um reflexo puro da crise económica, mas sobretudo financeira que colocou a nu fragilidades e outras realidades escondidas pela maré?

Cada um saberá encontrar a melhor resposta, mas a sabedoria popular diz-nos que «zangam-se as comadres [no caso pela falta de pão] sabem-se as verdades!», ou ainda é quando a maré baixa que se vê o tamanho do fato banho ou a sua ausência.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Pensar, opinar e agir diferente: necessidade e não uma imposição


No mundo em que vivemos, mas sobertudo face à relidade política e económica carateriza o nosso país e a UE, a célebre expressão pensar/agir fora da caixa, nunca como hoje fez tanto sentido.
 
Construtores de castelos de areia, impõem-nos a ideia que o futuro só tem uma forma de se construir, que não há método ou material alternativo e que caminho diverso do que defendem representará o regresso ao passado e muito provavelmente à desgraça.

As evidências, sim os factos e os números, e não as ideais pré-concebidas sobre a realidade imaginada, vêm demonstrando que estavam, estão e muito provavelmente estarão enganados se não mudarem entretanto de opinião.
 
Vítor Gaspar (ex ministro das finanças) soube reconhecer o erro e deixou espaço para que pelo que caminho surgissem novos interpretes, novas e diferentes políticas, novas e frescas formas, novos olhares, novas prespetivas e ângulos de observação da realidade, das quais necessitamos urgentemente.
 
Desde logo, há, tem de de haver, tem de ser criado, espaço para o pensamento, opinião e ação diferente do padrão. De ambos os lados da barricada, espera-se que não haja radicalismos, descredibilização, discriminação ou refutação imediata. Nos dias que correm tende-se em termos políticos e ideológicos, logo à partida, com argumentos sustentados na visão vigente (status quo), a descredibilizar essa diferença, transformando a realidade numa janela monocromática. Algo muito negativo e até perigoso, dado o clorido que carateriza o mundo e necessidade de respostas nessa linha.
 
Os media, mas também o comentário político são exemplo acabado desta leitura unívoca da realidade. É certo que o poder dominante tem no nosso país tendencialmente um peso superior ao nível do comentário e que os jornalistas têm dificuldade em descolar dos postulados solidificados pelas lideranças no poder, mas neste momento existe uma exiguidade gritante ao nível do comentário.

Deu disso nota na comunicação social Augusto Santos Silva. A seu jeito, apontou o dedo à falta de espaço para a visão alternativa.

É verdade que aqui e ali vamos lendo textos e ouvindo opiniões que defendem a necessidade de abrir o leque, o espaço, sobre a necessidade de ter um jornalismo que descole da corrente vigente (que escalpelize factos), que os analistas e os comentadores sejam capazes de critivar construtivamente a realidade. Mas fez-se ainda muito pouco.

Isto num tempo em que o próprio Vítor Bento, reonhecido economista (orientado à direita), defende/emite opinião diversa da que defendida anteriormente ou da que defende o governo, a Alemanha e vasta parte da Europa comunitária.