A autoria da expressão “os portugueses viveram acima das possibilidades” é sobejamente conhecida.
Ora, reconhecendo a aplicabilidade da expressão a muitos situações do conhecimento geral e que cada um terá em particular (a dívida privada e pública não deixam mentir), a expressão contém em si mesma uma cavalar dose de moralismo.
Hoje só resta a dúvida se o seu autor se autoexcluía do grupo, pois sabemos que também ele viveu acima das suas possibilidades. Se assim não fosse não necessitaria de financiar os seus faustosos gastos pessoais com impostos e contribuições sociais que não pagou/entregou em tempo. Sim, não estamos a falar financiamento privado, no mercado, como tanto advoga a personagem. Estamos a falar de crédito concedido pelo Estado, sem contrato e com base numa unilateral vontade.
Só um país que contínua em estado de necessidade (e o facto da nossa dívida ser ainda classificada como lixo, apesar das baixas taxas que por ela são exigidas, são disso espelho, tal como os números da economia), que tem regime democrático doente (sem alternativas), um presidente da república inexistente aguenta um primeiro-ministro nestas condições, especialmente depois de tudo o que vivemos no plano social, económico, político e institucional nos últimos anos.
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