terça-feira, 9 de junho de 2015

O resgate chinês


Apesar do título do nosso post poder sugerir mais um resgate a um país europeu em dificuldades, essa leitura não passa de pura ilusão inicial.

São conhecidas as dificuldades de Angola ao nível do movimento de capitais, o decréscimo das receitas provenientes do petróleo o que entre, outros pesados efeitos, cria um enorme buraco nas contas do estado angolano (principal player, a par do seu braço armado empresarial a Sonangol).

Como tal, apesar do governo local poder fabricar moeda, essa moeda não tem expressão internacional, sendo as suas principais transações realizadas em dólares.

Hoje mesmo José Eduardo dos Santos foi recebido pelo seu homólogo chinês em Pequim, pedindo ajuda financeira ao seu já principal parceiro internacional. O presidente angolano, segundo os números conhecidos, foi em busca de 22 mil milhões de dólares adicionais, o que a confirmar-se eleva o "resgate financeiro" para 38 mil milhões de dólares.

Como sabemos os chineses apostam numa jogada estratégica de longo prazo (como lhes é caraterístico), lançando bases num país, cada vez mais seu, e simultâneamente dão uma importante ajuda aos 300 mil chineses e empresas chinesas que operam na região.

Se à ajuda de estado somarmos, números que não temos e cuja fidedignidade poderá encontrar-se inquinada, os números do investimento direto, certamente que Angola é já implicitamente mais uma província chinesa.

A nós portugueses encontra-se reservado o papel de parceiro técnico e empresarial estratégico, visto que as nossas empresas oferecem uma capacidade, qualidade e garantia que os chineses ainda não conseguem na atualidade (assim aguentem as nossas empresas).

A miscigenação China-Angola-Portugal (assim como da língua português-mandarim) está em curso. Tríade a completar com uma presença brasileira mais vincada.

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