terça-feira, 2 de junho de 2015

Bluff Europeu



A novela grega arrasta-se há meses nos corredores de Bruxelas, governos europeus e restantes instituições que compõem a troika, no espaço mediático, nas ruas, nas conversas do dia-a-dia de alguns europeus, mas sobretudo arrasta-se na vida dos gregos, dos povos sobre pressão dos credores e pro-credores e de quem tem de tomar decisões importantes de investimento, consumo ou poupança.

Determinados setores da sociedade tem seguido esta novela com interesse vigoroso. Economistas, políticos, banqueiros, think tank, consultores, researchers, conferencistas e outros especialistas dedicam os seus dias a estudar fenómenos deste tipo e a (pre)visionar/influenciar o futuro procurando, dizem-nos, extrair daí uma luz que remedeie os erros cometidos e evite novas armadilhas.

Há cerca de seis meses vivemos perante ameaças iminentes de default grego, grexit e potenciais ondas de choque noutros países da preferia e, por outro lado, com perante novos programas de austeridade, soluções, acordos e outras resoluções saídas dos burocráticos encontros europeus, sem que alcance a almejada solução.

A Europa, à bolina de meias soluções (vide casos como o fundo monetário europeu, união bancária e fiscal, políticas de estimulo económico), persiste em não descolar os pés do meio da ponte.

Nos últimos dias/semanas temos vivido uma novidade: o bluff europeu. Grécia, com Varoufakis e Tsypras (por esta ordem) à cabeça, e por outro lado Ecofin, Junker e outros personagens europeus, têm lançado a confusão mediática em torno da solução para o problema grego. As jogadas sucedem-se de parte a parte sem que a assistência consiga descortinar qual dos bluff's se superiorizará ao opositor.

Os gregos com as pernas a tremelicar mas de peito cheio defendem que há alternativas e que não lhes interessa continuar no enquadramento europeu atual. Já os europeus do centro de nariz colado à atmosfera mas comprimido para o enjoo previamente tomado, dizem-nos que passam bem sem os problemas da Grécia, que está na sua mão partilhar do que a UE tem de melhor e que as ditas ondas de choque no seu caso não passarão de meras cócegas.
A confusão está instalada, o calendário avança, novos deadlines inultrapassáveis são fixados, mas realidade ultrapassa sempre estas metas, cada ação de bluff é lançada sobre a plateia.

No meio deste denso nevoeiro apetece perguntar por que se espera para olhar de vez, olhos nos olhos, os números e os contratos estabelecidos.

Bem sabemos que o poker não é dado a muita definição, mas neste jogo era interessante poder desfrutar de alguma, até porque ambas as "mãos" são de duvidosa qualidade.

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