A novela grega arrasta-se há
meses nos corredores de Bruxelas, governos europeus e restantes instituições
que compõem a troika, no espaço
mediático, nas ruas, nas conversas do dia-a-dia de alguns europeus, mas
sobretudo arrasta-se na vida dos gregos, dos povos sobre pressão dos credores e
pro-credores e de quem tem de tomar decisões importantes de investimento,
consumo ou poupança.
Determinados setores da sociedade tem seguido esta novela com interesse vigoroso. Economistas, políticos, banqueiros, think tank, consultores, researchers, conferencistas e outros especialistas dedicam os seus dias a estudar fenómenos deste tipo e a (pre)visionar/influenciar o futuro procurando, dizem-nos, extrair daí uma luz que remedeie os erros cometidos e evite novas armadilhas.
Há cerca de seis meses vivemos perante ameaças iminentes de default grego, grexit e potenciais ondas de choque noutros países da preferia e, por outro lado, com perante novos programas de austeridade, soluções, acordos e outras resoluções saídas dos burocráticos encontros europeus, sem que alcance a almejada solução.
A Europa, à bolina de meias soluções (vide casos como o fundo monetário europeu, união bancária e fiscal, políticas de estimulo económico), persiste em não descolar os pés do meio da ponte.
Nos últimos dias/semanas temos vivido uma novidade: o bluff europeu. Grécia, com Varoufakis e Tsypras (por esta ordem) à cabeça, e por outro lado Ecofin, Junker e outros personagens europeus, têm lançado a confusão mediática em torno da solução para o problema grego. As jogadas sucedem-se de parte a parte sem que a assistência consiga descortinar qual dos bluff's se superiorizará ao opositor.
Os gregos com as pernas a tremelicar mas de peito cheio defendem que há alternativas e que não lhes interessa continuar no enquadramento europeu atual. Já os europeus do centro de nariz colado à atmosfera mas comprimido para o enjoo previamente tomado, dizem-nos que passam bem sem os problemas da Grécia, que está na sua mão partilhar do que a UE tem de melhor e que as ditas ondas de choque no seu caso não passarão de meras cócegas.
A confusão está instalada, o
calendário avança, novos deadlines inultrapassáveis
são fixados, mas realidade ultrapassa sempre estas metas, cada ação de bluff é lançada sobre a plateia.
No meio deste denso nevoeiro apetece perguntar por que se espera para olhar de vez, olhos nos olhos, os números e os contratos estabelecidos.
Bem sabemos que o poker não é dado a muita definição, mas neste jogo era interessante poder desfrutar de alguma, até porque ambas as "mãos" são de duvidosa qualidade.
No meio deste denso nevoeiro apetece perguntar por que se espera para olhar de vez, olhos nos olhos, os números e os contratos estabelecidos.
Bem sabemos que o poker não é dado a muita definição, mas neste jogo era interessante poder desfrutar de alguma, até porque ambas as "mãos" são de duvidosa qualidade.
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