A última ação de campanha, desculpem publicidade governativa de índole fiscal utilizando como plataforma um organismo estatal (AT - Autoridade Tributária no caso), para não lhe chamarmos abertamente de propaganda eleitoral, aproximou-se seriamente daquelas ações publicitárias agressivas de empresas que atuam de modo trucidário e pouco escrupuloso no seu mercado, as quais muitas vezes se revelam como publicidade do tipo enganoso.
No caso governativo, promete-se aquilo que não se sabe se irá dar (simplesmente porque não se sabe se se poderá dar!). Sim, é como se alguém (leia-se o dono do jogo) a meio de uma partida nos desse uma informação solta que a nossa equipa irá ganhar, só restando saber por quantos, não cuidando de explicar e fundamentar que ganharíamos se nada de anormal acontece e já agora que isso aconteceria se a nossa equipa continuasse a jogar do mesmo modo e mais do que adversário… tivéssemos sorte… se tudo corresse bem como até ali... e se... e se...
A verdade é que, quem nos acena com a vitória não explica claramente que essa leitura é feita com os dados que dispomos hoje (YTD), que ainda podemos empatar não tendo por isso direito a prémio!
Desculpem, mas independentemente de qual seja o governo ou membro(s) do governo que faz isto, não tem outro qualificativo, se não de uma verdadeira sem-vergonhice, pelo tema, pelos envolvidos, por ser um governo, por estarmos a falar de impostos (de um excesso, para lá do excesso), pelas circunstâncias que o país atravessa e por se tentar com estas manobras capitalizar em votos o resultado de uma fria e vampiresca colheita.
O tipo de estória não é virgem, já que nas últimas semanas temos assistido a algumas jogadas por parte do senhor 1.º ministro menos bonitas, falsas partidas com direito a desmentidos públicos no plano nacional e europeu (veja-se o que disseram Donald Tusk e Juncker acerca da paternidade reclamada por Passos Coelho no que toca à solução europeia encontrada para a Grécia e da sua postura perante os parceiros em idêntica situação).
Esta postura, evidencia algum desnorte, preocupação e mais do que isso é um pronúncio de incapacidade de alcançar um resultado eleitoral relevante (entenda-se uma percentagem que permita ao PSD ter uma palavra a dizer pelo menos num governo de coligação a 3) e, por outro lado, é revelador para quem estiver mais atento e não queira tapar o sol com a peneira que vale sempre quase tudo para marcar pontos! Ao menos o Alberto João era mais transparente!
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