terça-feira, 10 de maio de 2016

Percepções

Afastado que estou de Portugal desde há já cinco anos e meio, constato que certamente algo que tem utilidade para uma análise mais fidedigna da realidade são os instrumentos de governação científica, designadamente os 'números' e o tratamento estatístico dos dados. Digo isto por que motivo? Pela razão de que as três vezes que voltei a Portugal estive maioritariamente em Lisboa e é inegável para mim a sensação de engrandecimento e melhoria que a cidade teve.
Mas significará isso que toda a cidade de Lisboa vive melhor? Ou, mais ainda, que o nosso país é também essa 'Lisboa engrandecida' que os meus olhos julgam ver? Creio que não! Mas, em boa verdade, também não o sei. O meu receio, cada vez mais à medida que me mantenho afastado da vida dia a dia aí, é tornar-me um involuntário propagandista que diz que 'vivemos no melhor dos mundos' quando isso, muito provavelmente, assim não é.
Por outro lado, também se assume geralmente como verdadeiro que para a economia algo de imprescindível é a confiança e a atitude voluntarista e determinada. Logo, um eventual discurso hiper-valorizante do que está não ajudará a fabricar o futuro? Algo como uma 'self fulfilling prophecy'?

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