quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A utilização tática da segunda pessoa do singular


A utilização excessiva da segunda pessoa do singular ou a conjugação verbal nessa pessoa fora de um ambiente informal ou fora de um ambiente restrito/privado/específico podem ser entendidos como um desvio ao nível do trato, isto é, como uma forma de tornar menos plana a interrelação e até desvirtuar a perceção de terceiros sobre a mesma.

À parte dos formalismos dispensáveis, não podemos esquecer que a nossa sociedade assenta ainda no excesso de formalismo no trato.

Mesmo que sejamos contra ou não façamos uso do formalismo de tratar alguém na terceira pessoa, aceitamo-lo como normal e até estranhamos que em determinadas circunstâncias a praxis não seja cumprida.

Ou seja, considerada a nossa cultura, em determinado contexto achamos estranho alguém tratar outrem por tu ou utilizar a conjugações verbais nessa pessoa.

Mais estranho é a utilização tática desse enquadramento para, por exemplo, fragilizar a contraparte. 

A extensão da confiança dada por essa forma de trato serve de transístor para ataques diretos, cirúrgicos e com impactos dificilmente controláveis.

Vem este tema a propósito dos debates dos Antónios do PS, onde os visados (mais Seguro) abusaram desse jogo (para nós tático) de trato pseudo plano e, simultâneamente, de faca afiada na liga.

Espetáculo infeliz, que chega a perturbar quem quer extrair da discussão sumo. Isto é, concluir se existe mesmo um caminho alternativo para o país.

Sem comentários:

Enviar um comentário