segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sexta + 48 horas = Segunda


Apertem os cintos. Como acordará a Europa segunda desta sexta prometedora?

A decisão sobre o destino da Grécia talvez pudesse ter sido tomada ou mesmo anunciada no inicio da semana, mas o seu adiamento para uma tarde de sexta-feira poderá não ser tanto justificado pela necessidade de negociar (lembramos que os dias que mediaram estas datas foram de foclore negocial, de muito ruído e soundbyte, pouca discussão e que os dias pareceram uma injustificada eternidade) mas poderá antes anunciar a importância das 48 horas que medeiam o inicio de uma nova semana.
Se não for uma boa nova, é natural que a decisão seja comunicada após o fecho dos mercados europeus, dado o efeito que poderá ter, mesmo considerando que o terreno foi devidamente preparado nos últimos meses/semanas e que os impactos estarão circunscritos. Uma decisão que merece uma digestão prolongada, de forma a evitar reações bruscas.

Este contexto e as posições extremadas da Grécia e Alemanha poderão ser só indícios não confirmados, de um qualquer virar de agulha.

Reinam a incerteza e ambiguidade nas veias do "projeto europeu".

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Juncker


Precisei de ler uma segunda e terceira vez para ver se realmente não estava a ler mal uma notícia publicada há pouco. Parece que Juncker (presidente da Comissão Europeia, ex-presidente do Conselho Europeu, ex-PM do Luxleaks e titular de um nome equivalente a uma conhecida marca de esquentadores) proferiu as seguintes palavras sobre a troika e os países resgatados: «Pecámos contra a dignidade de Portugal e Grécia. A troika é pouco democrática, falta-lhe legitimidade e deve sofrer alterações. É preciso saber retirar as lições da história e não repetir os mesmos erros» (ler mais aqui).

Estas guinadas das instituições europeias e também do FMI, especialmente quando os titulares tinham há ainda bem pouco tempo posições radicalmente opostas e, nalguns casos, como é caso do Sr. Juncker, têm enormes responsabilidades do que se passou direta ou diretamente (p. e. caso luxleaks) no caminho trilhado pela Europa na fase pós integração, vêm confirmar a deriva vivida e colocar um grande ponto de interrogação sobre o futuro da Europa.

É muito difícil lidar com pessoas ou instituições que não mudam de opinião como quem muda de camisa, sem fundamento, com pouca consideração e respeito pela contraparte.

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Guerra: palavra maldita


A palavra guerra, teima em não descolar do léxico humano. Do léxico dos países que histórica e mais recentemente têm vivido em contexto bélico, mas também de um mundo ocidental e civilizado que quer através da lama que tem transportado nas botas dos seus soldados, como agora do piscar de olho interno o vão aproximando deste fenómeno.

Pois é, a Ucrânia esse longínquo país do continente europeu está, segundo palavras de Merkel e sentimento de Hollande, à beira de uma guerra.

E que dizer da Grécia e de todo o potencial que ali se encerra para desencadear algo difícil de descrever.
 
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, na apresentação do seu programa de governo em pleno parlamento grego, considerou hoje que a Grécia tem a «obrigação histórica e moral de reclamar à Alemanha cerca de 162 mil milhões de euros referentes a indemnizações da Segunda Guerra Mundial».

Adensa-se a radicalização do discurso. Tudo isto num ambiente de estremismo e cisão em termos económicos e financeiros entre países europeus e em que os extremismos e radicalismos florescem dentro das fronteiras europeias.

Subversiva a nossa constatação e discurso... talvez não... tomará que sim. Nunca nesta passagem de pouco mais de trinta primaveras esperamos viver tão potencial-real ameaça.

"Eurocrise: uma outra perspectiva"


Um ensaio de Vítor Bento que nos porporciona um olhar diferente. Ver para lá dos espelhos. É verdade que os números dizem aquilo que queiramos que eles digam, mas há interpretações mais reais e fidedignas que outras.

Escreve o autor que passados «seis anos de crise, a zona euro está pior. O seu mau desempenho não era inevitável e poderia ter sido melhor. Se não foi, tal decorre duma política económica desadequada.»

Ponto de partida para a discusão, recomenda-se a leitura em: http://observador.pt/especiais/eurocrise-uma-outra-perspectiva/

Bem vindo de volta Vítor Bento!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Figura da semana


Se tivessemos o intuito de aqui criar um espaço para a figura da semana, Yanis Varoufakis ficaria certamente bem no papel de primeira figura nomeada.
O ministro das finanças grego esmagou o espaço político-mediático com a sua surpreendente, ponderada e 'nada' radical postura perante as câmaras e fundamentalmente perante o desafio que representa a gestão da dívida pública grega.

Aproveitamos para aqui deixar a ligação ao blogue deste economista, professor de economia e agora ministro das finanças grego.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Democracia e Política de volta ao seu berço


A Democracia voltou a funcionar.

Onde?

No seu berço, a Grécia, igualmente berço da Política.

É verdade que a vida está cheia destes curiosos pormenores, contudo o contexto em que acontece não deixa de ter enorme significado.

Tanto se tem falado do excesso de liberalismo, tecnocracia, burocracia e racionalismo, acompanhados da falta de discussão política e de políticos a nível europeu e dos estados-membros, assim como das decisões pouco democráticas que têm vindo a ser impostas aos estados em dificuldades financeiras, e eis que algo acontece no seio da União. E onde? Logo no berço da democracia e do fenómeno político.

Enorme e simbólica coincidência? Talvez. Nos próximos tempos saberemos se se trata de mais um episódio do tipo Hollande (França) e Renzi (Itália) ou efetivamente de um novo balanço, de um abanão que levará outros atores a agir de modo diferenciado e a uma mudança, o regresso à política e àquilo que no fundo mais importa: as pessoas.


Sobre o que que está acontecer na Grécia, não podemos deixar de lamentar em toda a linha as declarações do primeiro-ministro português. Lamentável.