quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Quo vadis jornalismo..


Tendo por base duas notícias publicadas pelo jornal Expresso, damos nota do resultado de um estudo sobre o jornalismo no nosso país, realizado por um investigador da Universidade de Coimbra, que passou pela aplicação de um inquérito online realizado junto de 806 jornalistas, o qual devolveu um largo conjunto de conclusões que nos deve deixar preocupados.

Sendo o jornalismo um dos pilares da nossa democracia, enquanto atividade que se quer livre, isenta, rigorosa, informativa e esclarecedora, saber que os profissionais da área trabalham sobre diversas pressões, que vão do desemprego ao subemprego, da falta de meios à pressão dos responsáveis editoriais e à tentativa de condicionamento pelos donos dos media, já para não falar na crise económica e financeira que afeta o setor de há uns anos a esta parte, somos nos levados a concluir que o espaço de exercício desta atividade é limitado, se não mesmo exíguo, comprometendo-se assim um importante mecanismo de checks and balances.

Deixamos de seguida uma vasta lista de conclusões, que recolhemos:
  • 35% são alvo de pressões externas;
  • 25% são alvo de pressões da direção e da administração;
  • 33% foi alvo de pressões externas no decorrer do seu trabalho;
  • 26% foram alvo de pressões da direção editorial;
  • 23% de pressões da administração da empresa;
  • 15% discordam ou discordam totalmente com a ideia de “dispor de total liberdade na produção de conteúdos”;
  • 90% dizem cumprir os preceitos éticos e deontológicos inerentes ao exercício da profissão;
  • 2,7% dos inquiridos nunca contacta com fontes na redação de notícias e 10,7% raramente;
  • Quase totalidade afirma que o seu trabalho nunca ou raramente é modificado sem a sua autorização.
  • Pressões são “transversais aos diferentes setores do grupo profissional”, independentemente da idade, género ou vínculo laboral;
  • Poucos recorrem sempre ou muitas vezes apenas a notas de agência;
  • 20,5% dos inquiridos raramente sai da redação;
  • 3,7% nunca a abandona em reportagem;
  • A principal metodologia é o contacto telefónico, seguido do contacto presencial, sendo que o contacto via ‘e-mail’ também se torna relevante. As redes sociais já serem a principal metodologia utilizada por 1,7% dos jornalistas inquiridos;
  • 76%, na componente da autorregulação, consideram fraco o grau de participação da profissão na Entidade Reguladora para a Comunicação Social e mais de 50% considera igualmente fraco o grau de participação na Comissão da Carteira Profissional;
  • 70% considera importante a criação de uma Ordem dos Jornalistas;
  • 50% tem um contrato de trabalho precário;
  • 72% acredita que dificilmente encontraria novo emprego no setor;
  • Sujeita a condições bastante precárias” e com “baixas expectativas em relação ao seu trabalho”,
  • 50% tem um contrato de trabalho “próximo de lógicas de precariedade”;
  • 25% trabalha em regime de prestação de serviços com recibo verde;
  • 12% apresenta contrato a termo certo;
  • 9,2% a termo incerto;
  • 55% diz que a sua situação laboral afeta o desempenho do seu trabalho, sendo “sobretudo entre prestadores de serviços que estão a recibo verde que mais existe concordância”;
  • 33% já esteve numa situação de despedimento num órgão de comunicação social;
  • 40% dos aufere um vencimento bruto entre 506 e 1000 euros;
  • 7,3% recebe abaixo do salário mínimo nacional;
  • 25% recebe mais de 1.500 euros brutos por mês;
  • 25% desenvolve outra atividade profissional que não o jornalismo;
  • 23,5% desenvolve “atividade jornalística noutro órgão de comunicação exterior à empresa com quem detém o vínculo principal”;
  • 50% dizem ver os seus trabalhos publicados ou difundidos noutros órgãos da empresa onde trabalha, e a quase a totalidade (90,8%) afirma não receber mais por isso;
  • 86% dos inquiridos não recebe qualquer suplemento pelo desempenho de outras tarefas, nomeadamente fazer fotografias ou artigos para a edição digital do órgão de comunicação;
  • 40% já realizou um estágio profissional ou extracurricular não remunerado, apontando como principais razões para o fazer a “expectativa de integrar os quadros do órgão de comunicação” ou a possibilidade de “adquirir experiência profissional”;
  • 90% concorda quer com a obrigatoriedade de detenção de um título profissional;
  • 84% concorda com a exigência de um estágio obrigatório;
Fontes:

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