quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Sobre malta que defende a família e os seus valores, mas pouco faz no sentido da sua sustentabilidade..


Dada a época que atravessamos, vem este texto a propósito dos acérrimos defensores da família, que não hesitam em atacar diretamente ou por interposta pessoa aqueles que não se dão tanto ou não se dão mesmo de forma continuada com todas as ramificações da sua família (com motivos fundados ou, por simplesmente não há química). 

Pena é que estas pessoas, por vezes, se esquecem que a família não é só no sentido ascendente, a família é muito mais no sentido descendente do que o seu contrário, isto é, no sentido dos filhos, dos netos, ou seja, no sentido da sustentabilidade das relações familiares...

Sabemos que há medida que a família vai crescendo no sentido que referimos, que os laços ascendentes (exceção feita aos pais e avós) se vai desvanecendo. Primeiro porque o tempo e as oportunidades não são as mesmas, e depois porque nos dias que correm é muito mais comum as pessoas darem-se com aqueles que estão mais presentes na sua vida quotidiana e, por isso, que estão mais próximas da sua realidade. Estamos, claro está, a falar dos Amigos, dos vizinhos e dos colegas de trabalho.

É principalmente agravada a situação quando estamos perante pessoas que, para além de não terem (e muitas vezes não quererem ter) família no médio longo prazo (futuro), não lhe sejam conhecidas grandes relações de amizade. Amizades daquelas que representam muitas vezes laços mais profundos do que aqueles que temos em matéria de relações familiares.

Há ainda aqueles casos de alegados defensores da família, que não perdem uma oportunidade para, aqui e ali, fomentar a discórdia, de deixar de forma subtil o seu veneno e de armadilhar as relações que não conseguem controlar. Destroem ou procuram destruir aquilo que procuramos construir de forma diferente dos seus padrões/modelos. Prefiro estar a salvo de tudo isto e dar-me pouco, mas de forma sã.

Eu tenho familiares com quais me dou regularmente, encontramo-nos pontualmente durante o ano e alguns não sei bem porque não me dou com regularidade e eles não se dão de igual modo comigo e dão-se também entre eles nessa base (isto é, pouco!). 

A verdade é que tenho meia dúzia de Amigos que tenho como família e até um pouco mais do que isso. São pessoas com quem partilhei, partilho e partilharei os melhores e piores momentos da minha vida, os sucessos e insucessos, as alegrias e as tristezas. Daqueles Amigos que quando acontece alguma coisa sei que estão lá para me dar a sua camisola, tal como eu o faria, daqueles que encontramos em todos aniversários, casamentos, batizados e restantes eventos.

Cada um deveria fazer uma reflexão deste género, sobre a sua situação, antes de divagar sobre situação de terceiros, nomeadamente sobre familiares seus.

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