Dada
a época que atravessamos, vem este texto a propósito dos acérrimos
defensores da família, que não hesitam em atacar diretamente ou por
interposta pessoa aqueles que não se dão tanto ou não se dão mesmo de
forma continuada com todas as ramificações da sua família (com motivos fundados ou, por simplesmente não há química).
Pena é que
estas pessoas, por vezes, se esquecem que a família não é só no sentido ascendente, a
família é muito mais no sentido descendente do que o seu contrário,
isto é, no sentido dos filhos, dos netos, ou seja, no sentido da
sustentabilidade das relações familiares...
Sabemos
que há medida que a família vai crescendo no sentido que referimos, que
os laços ascendentes (exceção feita aos pais e avós) se vai
desvanecendo. Primeiro porque o tempo e as oportunidades não são as
mesmas, e depois porque nos dias que correm é muito mais comum as
pessoas darem-se com aqueles que estão mais presentes na sua vida
quotidiana e, por isso, que estão mais próximas da sua realidade.
Estamos, claro está, a falar dos Amigos, dos vizinhos e dos colegas de
trabalho.
É
principalmente agravada a situação quando estamos perante pessoas que,
para além de não terem (e muitas vezes não quererem ter) família no
médio longo prazo (futuro), não lhe sejam conhecidas grandes relações de
amizade. Amizades daquelas que representam muitas vezes laços mais
profundos do que aqueles que temos em matéria de relações familiares.
Há
ainda aqueles casos de alegados defensores da família, que não perdem
uma oportunidade para, aqui e ali, fomentar a discórdia, de deixar de
forma subtil o seu veneno e de armadilhar as relações que não conseguem
controlar. Destroem ou procuram destruir aquilo que procuramos construir de forma diferente dos seus padrões/modelos. Prefiro estar a salvo de tudo isto e dar-me pouco, mas de
forma sã.
Eu
tenho familiares com quais me dou regularmente, encontramo-nos
pontualmente durante o ano e alguns não sei bem porque não me dou com
regularidade e eles não se dão de igual modo comigo e dão-se também
entre eles nessa base (isto é, pouco!).
A verdade é que tenho meia dúzia
de Amigos que tenho como família e até um pouco mais do que isso. São
pessoas com quem partilhei, partilho e partilharei os melhores e piores
momentos da minha vida, os sucessos e insucessos, as alegrias e as
tristezas. Daqueles Amigos que quando acontece alguma coisa sei que estão lá
para me dar a sua camisola, tal como eu o faria, daqueles que
encontramos em todos aniversários, casamentos, batizados e restantes
eventos.
Cada
um deveria fazer uma reflexão deste género, sobre a sua situação, antes
de divagar sobre situação de terceiros, nomeadamente sobre familiares
seus.
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