Com
a eleição, tomada de posse e primeiras semanas da presidência de Donald
Trump, o mercado bolsista americano tem vivido tempos de uma certa
euforia, batendo-se novos recordes.
De repente, a inflação atinge níveis que não eram vistos há algum tempo, assim como o crescimento e emprego brilham como nunca.
Os
mercados estão a surfar uma onda que, alegadamente, é boa. Com bons
números. Talvez para si. Talvez seja no curto(íssimo) prazo, mas no
médio/longo prazo a onda terá certamente outros efeitos, já para não
falar dos efeitos corrosivos que algumas medidas e o próprio balanço
estão a ter e terão sobre valores fundamentais.
Os
mercados ligam mais aos números, pouco ou de forma enviesada para os
elementos intangíveis e vivem numa quase profunda cegueira em termos
políticos.
Quem
se preocupa então com a política? Com os direitos fundamentais? Com a
liberdade? Com a justiça? Com o estado de direito? Com a igualdade? Com a
democracia?
Se
os mercados não se preocupam, sendo eles, cada vez mais, o centro das
decisões do mundo e bastião da racionalidade, quem zela pelos superiores
interesses do mundo? Das pessoas?
Vivemos numa era pós Obama. Num mundo mais incerto, imprevisível e perigoso.
Neste contexto, a racionalidade dos mercados serve apenas os interesses de alguns agentes económicos.
Esta racionalidade de pendor económico, com as suas próprias falácias, cega, traduz-se numa triunfante irracionalidade.
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