domingo, 12 de fevereiro de 2017

O triunfo da irracionalidade


Com a eleição, tomada de posse e primeiras semanas da presidência de Donald Trump, o mercado bolsista americano tem vivido tempos de uma certa euforia, batendo-se novos recordes.

De repente, a inflação atinge níveis que não eram vistos há algum tempo, assim como o crescimento e emprego brilham como nunca.

Os mercados estão a surfar uma onda que, alegadamente, é boa. Com bons números. Talvez para si. Talvez seja no curto(íssimo) prazo, mas no médio/longo prazo a onda terá certamente outros efeitos, já para não falar dos efeitos corrosivos que algumas medidas e o próprio balanço estão a ter e terão sobre valores fundamentais.

Os mercados ligam mais aos números, pouco ou de forma enviesada para os elementos intangíveis e vivem numa quase profunda cegueira em termos políticos.

Quem se preocupa então com a política? Com os direitos fundamentais? Com a liberdade? Com a justiça? Com o estado de direito? Com a igualdade? Com a democracia?

Se os mercados não se preocupam, sendo eles, cada vez mais, o centro das decisões do mundo e bastião da racionalidade, quem zela pelos superiores interesses do mundo? Das pessoas?

Vivemos numa era pós Obama.  Num mundo mais incerto, imprevisível e perigoso.

Neste contexto, a racionalidade dos mercados serve apenas os interesses de alguns agentes económicos.

Esta racionalidade de pendor económico, com as suas próprias falácias, cega, traduz-se numa triunfante irracionalidade.

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