quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Emoções


Depois de um Presidente dos afetos, de um Primeiro-ministro arrependido por não exteriorizar as suas emoções devidamente e de uma ministra que no seu descontrolo governativo nos inundou com suas emoções, eis que os últimos dias nos trouxeram um prémio nobel da economia com um trabalho na área da economia comportamental.

 Richard Thaler considera que as decisões são por vezes irracionais, impregnadas de emoções, isto é, «os humanos não são seres perfeitamente racionais, mas antes pessoas com emoções, impulsos, problemas de autocontrolo, entre outras características puramente… humanas. E como são as pessoas que fazem a economia, Thaler sempre defendeu que deveria existir uma outra forma de a pensar também». (ler mais aqui). 

Depois de anos de crise, em que a racionalidade esteve na ordem do dia, eis que as emoções parecem conquistar terreno e assumir o papel central.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Estado inexistente


Muito se tem falado nos últimos anos da necessidade de reavaliar as funções do Estado e de encurtar as suas dimensões.

Assim o fomos fazendo, encurtando umas vezes por necessidade outras por escolha política, mais ou menos sustentada.

Fecharam-se centros de saúde, escolas, tribunais, serviços de finanças, postos de vigilância de florestas, linhas de caminhos de ferro, tudo e mais alguma coisa que cheirasse a Estado. Como contrapartida construíram-se estradas e autoestradas, para que o interior fugisse mais rapidamente para a cidade e que os da cidade fossem passar os seus tempos livres ao interior, construíram-se zonas industriais, aeroportos e outras infraestruturas públicas condenadas ao insucesso, verdadeiros elefantes brancos, que contribuíram, e muito, para engordar o mostro da dívida.

Abandonaram-se por necessidade ou opção as políticas de ordenamento do território, de combate à desertificação do interior e apoiou-se o extremo polarizar do litoral.
Com este conjunto de medidas ou omissão delas, o Terreiro do Paço esqueceu e desertificou o interior.

Nos últimos meses, depois de tudo o resto, para muita gente sumiram as casas, os animais, as terras, as culturas… sumiu o pouco que ainda fixava gentes ao interior.

Sumiu a esperança no interior.

O Estado que temos hoje, resultado de anos afio de políticas erradas, está em muitas das vertentes para lá do mínimo, trata-se de um Estado inexistente no que respeita ao interior. Aquilo que sucedeu nos últimos tempos é prova disso e só não vê quem não quer ver. Exceção feita à administração local (parca em recursos e competências) pouco ou nada resta… restam os helicópteros e canadairs que em última instância vêm de longe e a peso de ouro apagar aquilo que é impossível apagar.

sábado, 21 de outubro de 2017

As 3 escolhas: défice; reversões; descativações


O Governo perante a margem orçamental, que escrevem os entendidos, ascende a 1.000 milhões de euros, desde logo, pode fazer três coisas:

Em primeiro lugar, pode atacar o controlo do défice, reduzindo-o de forma mais agressiva e rápida, procurando reduzir por essa via a dívida;

Em segundo lugar, reverter a austeridade dos últimos anos sobre os funcionários públicos, pensionistas e contribuintes;

Por fim, aliviar a política de cativações aplicadas aos orçamentos dos serviços, que tanto prejuízo têm causado aos bens e serviços públicos que são fornecidos aos cidadãos.

A opção por esta ou aquela alternativa, ou duas delas em simultâneo, tem claramente um custo pesado de oportunidade. São escolhas difíceis de se fazerem, mas que têm de acontecer.

Se fosse governo optava por equitativamente levar as três por diante, dando um 1/3 da importância a cada uma delas. 

Por último, mas com prioridade cimeira, é preciso não esquecer que é neste contexto que tem o Governo de encontrar fundos para a reforma da floresta e prevenção e combate efetiva aos incêndios. Perante esta necessidade, abdicaria sem dúvida de levar por diante um controlo tão efetivo do défice.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Santana ou Rio?


Como o diabo se escondeu ou fugiu e, como tal, não está cá para escolher, pensamos que será relativamente irrelevante ser um ou o outro a chegar à liderança do PSD.
 
Com os dados conhecidos e com aqueles que se estimam para os tempos vizinhos, as próximas eleições legislativas serão ganhas por António Costa, restando saber qual a dimensão da sua maioria e da consequente necessidade de revigorar ou não a gerigonça.

Neste cenário, restará ao próximo líder do PSD ser igualmente o líder da oposição, um papel que em teoria, tendo em conta que falta 2 anos para o fim da legislatura, durará 6 anos (2+4).

A menos que algo muito estranho e/ou grave aconteça entretanto, quem aguenta 6 anos de oposição? Sem poder? Com uma agenda limitada e essencialmente em torno da estabilização interna do partido?

Arrisco escrever que quem quer que seja o próximo líder do PSD, não chegará a assumir o papel de primeiro-ministro e que apenas chegará ao governo da nação num cenário, remoto, de bloco central.

O seu principal papel será o de estabilização, de refundação até do partido e de preparação do terreno para um novo líder, esse sim capaz de entrar na luta pela conquista do poder.
Uma coisa é certa, sendo Santana teremos talvez oportunidade de ler um segundo volume do livro Percepções e Realidades!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O fim, mais do que anunciado, de uma era..


Quando alguém se alimenta da crise, dos problemas e das dificuldades vigentes, tem dificuldade em virar a página, de passar para uma nova fase.

Isso acontece no nosso país, com a liderança de Passos Coelho a não conseguir sair do discurso que o motivou nos anos da troika.

Já aqui escrevemos sobre a falta de esperança que Passos Coelho e a sua encoraje representavam para o país, um beco sem saída.

Há muito que o povo português está cansado do seu discurso.

As pessoas pedem, precisam de esperança, de uma nova onda que lhe traga ânimo para construir o futuro.

Goste ou não se goste, com mais ou menos embalo da cena internacional e do turismo, é esse ambiente esperançoso que a geringonça foi criando ao longo dos meses.

Os resultados estão à vista. Podiam ser melhores? Talvez, mas o que temos destoa do ambiente vivido já neste século.

O fim da era passos coelhista chegou, as últimas eleições autárquicas só o vieram confirmar de forma truculenta.