Muito se tem falado nos últimos anos da necessidade de reavaliar as funções do Estado e de encurtar as suas dimensões.
Assim o fomos fazendo, encurtando umas vezes por necessidade outras por escolha política, mais ou menos sustentada.
Fecharam-se
centros de saúde, escolas, tribunais, serviços de finanças, postos de
vigilância de florestas, linhas de caminhos de ferro, tudo e mais alguma
coisa que cheirasse a Estado. Como contrapartida construíram-se
estradas e autoestradas, para que o interior fugisse mais rapidamente
para a cidade e que os da cidade fossem passar os seus tempos livres ao
interior, construíram-se zonas industriais, aeroportos e outras
infraestruturas públicas condenadas ao insucesso, verdadeiros elefantes
brancos, que contribuíram, e muito, para engordar o mostro da dívida.
Abandonaram-se
por necessidade ou opção as políticas de ordenamento do território, de
combate à desertificação do interior e apoiou-se o extremo polarizar do
litoral.
Com este conjunto de medidas ou omissão delas, o Terreiro do Paço esqueceu e desertificou o interior.
Nos
últimos meses, depois de tudo o resto, para muita gente sumiram as
casas, os animais, as terras, as culturas… sumiu o pouco que ainda
fixava gentes ao interior.
Sumiu a esperança no interior.
O
Estado que temos hoje, resultado de anos afio de políticas erradas,
está em muitas das vertentes para lá do mínimo, trata-se de um Estado
inexistente no que respeita ao interior. Aquilo que sucedeu nos últimos
tempos é prova disso e só não vê quem não quer ver. Exceção feita à
administração local (parca em recursos e competências) pouco ou nada
resta… restam os helicópteros e canadairs que em última instância vêm de
longe e a peso de ouro apagar aquilo que é impossível apagar.
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