segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Estado inexistente


Muito se tem falado nos últimos anos da necessidade de reavaliar as funções do Estado e de encurtar as suas dimensões.

Assim o fomos fazendo, encurtando umas vezes por necessidade outras por escolha política, mais ou menos sustentada.

Fecharam-se centros de saúde, escolas, tribunais, serviços de finanças, postos de vigilância de florestas, linhas de caminhos de ferro, tudo e mais alguma coisa que cheirasse a Estado. Como contrapartida construíram-se estradas e autoestradas, para que o interior fugisse mais rapidamente para a cidade e que os da cidade fossem passar os seus tempos livres ao interior, construíram-se zonas industriais, aeroportos e outras infraestruturas públicas condenadas ao insucesso, verdadeiros elefantes brancos, que contribuíram, e muito, para engordar o mostro da dívida.

Abandonaram-se por necessidade ou opção as políticas de ordenamento do território, de combate à desertificação do interior e apoiou-se o extremo polarizar do litoral.
Com este conjunto de medidas ou omissão delas, o Terreiro do Paço esqueceu e desertificou o interior.

Nos últimos meses, depois de tudo o resto, para muita gente sumiram as casas, os animais, as terras, as culturas… sumiu o pouco que ainda fixava gentes ao interior.

Sumiu a esperança no interior.

O Estado que temos hoje, resultado de anos afio de políticas erradas, está em muitas das vertentes para lá do mínimo, trata-se de um Estado inexistente no que respeita ao interior. Aquilo que sucedeu nos últimos tempos é prova disso e só não vê quem não quer ver. Exceção feita à administração local (parca em recursos e competências) pouco ou nada resta… restam os helicópteros e canadairs que em última instância vêm de longe e a peso de ouro apagar aquilo que é impossível apagar.

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