terça-feira, 21 de novembro de 2017

Objetivos económicos..




Diminuir o défice;
Diminuir a dívida;
Diminuir os impostos;
Diminuir o desemprego;
Diminuir o consumo;
Diminuir o crédito;
Subir o crescimento;
Subir o superavit comercial;
Subir o investimento;
Subir a poupança
Subir os salários (nomeadamente o salário mínimo).

11 objetivos de curto/médio prazo ou, se preferimos, meras lapalissadas!

domingo, 19 de novembro de 2017

Atenção à subida das taxas de juro


Primeiro foi a Comissão Europeia, depois o ministro Centeno, agora os diversos comentadores vêm-nos alertando para uma realidade de curto/médio prazo: a subida das taxas de juro.

Muita gente (famílias e empresas) aproveitou os anos de juros baixos para contrair empréstimos, especialmente à habitação.
 
Em muitos casos, o clima de taxas funcionou como uma oportunidade única para consumos e investimentos que doutra forma não seriam realizados.

O problema é que em muitos casos não se contou e as pessoas não foram suficientemente informadas e esclarecidas, que ao longo da vida dos empréstimos as taxas de juro pudessem vir a subir.

Muitos destes empréstimos foram contratados com spreads (remuneração dos bancos) em valores record, pelo que a estes se somarão as taxas de juro em crescimento… uma verdadeira tempestade perfeita!

Muitos jovens, na sua vida económica ativa, nunca enfrentaram tal desafio.

Esta realidade apanhará desprevenidos aqueles que vivem no limite das suas capacidades com os juros baixos e irá colocar em dificuldades aqueles que vivem mais francos em face da folga criada pelas baixas taxas de juro.

Apesar do crescimento, que certamente trará algum fermento aos salários, quebrados pelo crescimento da inflação e, fundamentalmente, pelo crescimento dos juros, os próximos anos serão sombrios no que toca a rendimento disponível para as famílias, mas também para as empresas e até para o Estado.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

VAR


Mais conhecido por vídeo arbitro, o VAR está a fazer correr muita tinta dentro e fora de portas.

Na liga alemã, o responsável pelo VAR foi despedido por estar a favorecer um clube especifico.

Por cá temos tido polémica quanto baste, com apagões, desligamentos, intervenções e não intervenções duvidosas, assim como impossibilidade de intervenção por decisão prévia (errada) do árbitro.

Não somos especialistas em VAR, arbitragem, ou regulamentação desportiva, mas somos pela defesa da verdade desportiva.

Virá este VAR contribuir para a verdade desportiva ou adensar ainda mais a confusão, com a criação de novos casos, novas polémicas?

Ainda é cedo para retirar conclusões, até porque, há que dizê-lo, algumas das intervenções na nossa liga foram positivas, isto é, sem o VAR os árbitros tinham errado.

Mas uma coisa é certa, onde existir intervenção humana, haverá sempre a possibilidade de erro involuntário ou deliberado. A mais-valia desta solução será mitigar a existência de erros, não acabar com eles.

domingo, 5 de novembro de 2017

Um elogio à poupança



Já sobe a égide do dia mundial da poupança, o Governo decidiu acabar com um dos raros estímulos/prémios a quem reserva parte, consegue fazê-lo, à poupança. Acabou com o  certificados de tesouro poupança mais.

A partir da agora, qual é o incentivo que o português tem à poupança, com os depósitos pelas ruas da amargura e os certificados do estado a devolver quase nada em troca da imobilização do capital?

Estará o Estado a querer incentivar o consumo e investimento? 

Só pode porque o português médio tem um perfil avesso ao investimento em ativos de risco e os riscos mais conhecidos/próximos (p.e. bolsa nacional) não são interessantes.

Que papel é o do Estado nesta matéria  afinal?

Daqui só podemos fazer um elogio àqueles que, apesar de tudo, continuam a poupar, e assim libertar meios para que outros possam investir/consumir e, fundamentalmente, assim contribuem para uma economia mais equilibrada.

Cadê o incentivo à poupança? Cadê??????

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Não poupar é mau, não poupar e recorrer ao crédito é pior


«Portugal é, dos países europeus, um daqueles em que a taxa de poupança é mais baixa, mesmo quando os rendimentos das famílias aumentam. As baixas taxas de juro podem explicar parcialmente uma tendência para o decréscimo da poupança, mas não explicam que, com semelhantes taxas, a poupança em Portugal seja muito inferior à de congéneres europeus. Está tudo de certa maneira ligado. Somos relativamente mais pobres que outros países, temos porventura uma maior aversão ao risco e a aplicações no mercado de capitais, por natureza mais volátil, e quando as remunerações de depósitos ou de ativos com pouco risco é baixa, gastamos e não poupamos. Esta a racionalidade económica individual, compreensível, mas que já nos trouxe problemas no passado e que poderá voltar a trazer no futuro se não tomarmos as devidas cautelas». («Portugal 2020: os limites racionalidade individual»; Paulo Trigo Pereira in Jornal Observador)

Portanto, sobrevalorizamos o consumo presente em detrimento do investimento e/ou consumo futuro.

Mas mais grave foi a situação que vivemos no passado, em que há baixa taxa de poupança se somava um elevadíssimo recurso ao crédito, nomeadamente ao consumo. A crise teve pelo menos esse mérito, levou os privados (empresas e famílias) a recorrer menos ao crédito e inclusive a encetar um processo de desalavancagem (redução do volume de crédito) assinalável.

É caso para dizer que não poupar é mau, não poupar e recorrer ao crédito é pior!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Emoções


Depois de um Presidente dos afetos, de um Primeiro-ministro arrependido por não exteriorizar as suas emoções devidamente e de uma ministra que no seu descontrolo governativo nos inundou com suas emoções, eis que os últimos dias nos trouxeram um prémio nobel da economia com um trabalho na área da economia comportamental.

 Richard Thaler considera que as decisões são por vezes irracionais, impregnadas de emoções, isto é, «os humanos não são seres perfeitamente racionais, mas antes pessoas com emoções, impulsos, problemas de autocontrolo, entre outras características puramente… humanas. E como são as pessoas que fazem a economia, Thaler sempre defendeu que deveria existir uma outra forma de a pensar também». (ler mais aqui). 

Depois de anos de crise, em que a racionalidade esteve na ordem do dia, eis que as emoções parecem conquistar terreno e assumir o papel central.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Estado inexistente


Muito se tem falado nos últimos anos da necessidade de reavaliar as funções do Estado e de encurtar as suas dimensões.

Assim o fomos fazendo, encurtando umas vezes por necessidade outras por escolha política, mais ou menos sustentada.

Fecharam-se centros de saúde, escolas, tribunais, serviços de finanças, postos de vigilância de florestas, linhas de caminhos de ferro, tudo e mais alguma coisa que cheirasse a Estado. Como contrapartida construíram-se estradas e autoestradas, para que o interior fugisse mais rapidamente para a cidade e que os da cidade fossem passar os seus tempos livres ao interior, construíram-se zonas industriais, aeroportos e outras infraestruturas públicas condenadas ao insucesso, verdadeiros elefantes brancos, que contribuíram, e muito, para engordar o mostro da dívida.

Abandonaram-se por necessidade ou opção as políticas de ordenamento do território, de combate à desertificação do interior e apoiou-se o extremo polarizar do litoral.
Com este conjunto de medidas ou omissão delas, o Terreiro do Paço esqueceu e desertificou o interior.

Nos últimos meses, depois de tudo o resto, para muita gente sumiram as casas, os animais, as terras, as culturas… sumiu o pouco que ainda fixava gentes ao interior.

Sumiu a esperança no interior.

O Estado que temos hoje, resultado de anos afio de políticas erradas, está em muitas das vertentes para lá do mínimo, trata-se de um Estado inexistente no que respeita ao interior. Aquilo que sucedeu nos últimos tempos é prova disso e só não vê quem não quer ver. Exceção feita à administração local (parca em recursos e competências) pouco ou nada resta… restam os helicópteros e canadairs que em última instância vêm de longe e a peso de ouro apagar aquilo que é impossível apagar.

sábado, 21 de outubro de 2017

As 3 escolhas: défice; reversões; descativações


O Governo perante a margem orçamental, que escrevem os entendidos, ascende a 1.000 milhões de euros, desde logo, pode fazer três coisas:

Em primeiro lugar, pode atacar o controlo do défice, reduzindo-o de forma mais agressiva e rápida, procurando reduzir por essa via a dívida;

Em segundo lugar, reverter a austeridade dos últimos anos sobre os funcionários públicos, pensionistas e contribuintes;

Por fim, aliviar a política de cativações aplicadas aos orçamentos dos serviços, que tanto prejuízo têm causado aos bens e serviços públicos que são fornecidos aos cidadãos.

A opção por esta ou aquela alternativa, ou duas delas em simultâneo, tem claramente um custo pesado de oportunidade. São escolhas difíceis de se fazerem, mas que têm de acontecer.

Se fosse governo optava por equitativamente levar as três por diante, dando um 1/3 da importância a cada uma delas. 

Por último, mas com prioridade cimeira, é preciso não esquecer que é neste contexto que tem o Governo de encontrar fundos para a reforma da floresta e prevenção e combate efetiva aos incêndios. Perante esta necessidade, abdicaria sem dúvida de levar por diante um controlo tão efetivo do défice.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Santana ou Rio?


Como o diabo se escondeu ou fugiu e, como tal, não está cá para escolher, pensamos que será relativamente irrelevante ser um ou o outro a chegar à liderança do PSD.
 
Com os dados conhecidos e com aqueles que se estimam para os tempos vizinhos, as próximas eleições legislativas serão ganhas por António Costa, restando saber qual a dimensão da sua maioria e da consequente necessidade de revigorar ou não a gerigonça.

Neste cenário, restará ao próximo líder do PSD ser igualmente o líder da oposição, um papel que em teoria, tendo em conta que falta 2 anos para o fim da legislatura, durará 6 anos (2+4).

A menos que algo muito estranho e/ou grave aconteça entretanto, quem aguenta 6 anos de oposição? Sem poder? Com uma agenda limitada e essencialmente em torno da estabilização interna do partido?

Arrisco escrever que quem quer que seja o próximo líder do PSD, não chegará a assumir o papel de primeiro-ministro e que apenas chegará ao governo da nação num cenário, remoto, de bloco central.

O seu principal papel será o de estabilização, de refundação até do partido e de preparação do terreno para um novo líder, esse sim capaz de entrar na luta pela conquista do poder.
Uma coisa é certa, sendo Santana teremos talvez oportunidade de ler um segundo volume do livro Percepções e Realidades!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O fim, mais do que anunciado, de uma era..


Quando alguém se alimenta da crise, dos problemas e das dificuldades vigentes, tem dificuldade em virar a página, de passar para uma nova fase.

Isso acontece no nosso país, com a liderança de Passos Coelho a não conseguir sair do discurso que o motivou nos anos da troika.

Já aqui escrevemos sobre a falta de esperança que Passos Coelho e a sua encoraje representavam para o país, um beco sem saída.

Há muito que o povo português está cansado do seu discurso.

As pessoas pedem, precisam de esperança, de uma nova onda que lhe traga ânimo para construir o futuro.

Goste ou não se goste, com mais ou menos embalo da cena internacional e do turismo, é esse ambiente esperançoso que a geringonça foi criando ao longo dos meses.

Os resultados estão à vista. Podiam ser melhores? Talvez, mas o que temos destoa do ambiente vivido já neste século.

O fim da era passos coelhista chegou, as últimas eleições autárquicas só o vieram confirmar de forma truculenta.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Sobre a “crise” na AutoEuropa


"Orgulho-me de ter sido membro de uma CT que começou numa fábrica com 144 pessoas. Saí de lá com 4 mil, contrariamente a muitos sindicatos que entraram com 11 mil trabalhadores e saíram com ninguém, como na Lisnave, CUF ou Quimigal" - afirma (ao Negócios de 30 de Agosto) António Chora.

Que mais há dizer, quando o ex-líder da comissão de trabalhadores diz isto.

Uma dança da chuva, que mais não serve do que para levantar poeira.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A política da verdade vs. a da ideologia em Cavaco


«Para Cavaco o conceito de verdade é o da sua verdade, a que lhe dava jeito em cada momento. Quanto a ideologia, era a sua, a Dele próprio, a do eucalipto que secava tudo para sobreviver. E a política, para lá de ser a arte do compromisso, é diariamente um exercício de sobrevivência. Tenho a certeza que Cavaco Silva será um excelente professor, um mestre esfíngico dos silêncios que tem tudo a ensinar.»

Rui Calafate dixit
17/08/2017

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Passos e a ferrugem


«Passos está convicto de que tem razão e é disso que se forjam os políticos. É certo que os homens de ferro são muitas vezes afectados pela ferrugem, de que normalmente não se dão conta».

domingo, 16 de julho de 2017

Abaixo as cativações


As cativações orçamentais emergiram de assunto de somenos importância para a ribalta mediática e assumiram um papel central na trica política. Representam este ano, perto de mil milhões de euros (ou seja, cerca de 0,8% do orçamento de despesa).

Tricas políticas à parte, assim como desconhecimentos daqueles que dizem ter aprovado um orçamento diferente, as cativações não são, quanto a nós, mais do que uma artimanha usada por sucessivos governos para mascarar o mau planeamento, a má orçamentação e deixar alçapões no importante documento para manobras imprevistas de última da hora.
 Se o processo de planeamento e em concreto o processo orçamental fosse rigoroso, obedece-se a critérios e objetivos estáveis, precisos e previamente estabelecidos, a 01 de janeiro de cada ano teríamos um orçamento livre de cativações, um exercício sobre a realidade, um exercício real sobre aquela que irá ser a execução financeira do ano económico, por conseguinte, um documento útil à gestão.

Do ponto de vista técnico sou contra as cativações pelo que ficou dito, mas também porque as cativações orçamentais são muitas vezes cegas, levam a empolamento dos orçamentos ou a restrições excessivas e criam uma discricionária atrofia no momento em que é necessário proceder à descativação, não só pelo forma e demora comum no processo, mas por serem alvo de uma análise e decisão de uma pessoa (ministro das finanças).

sábado, 1 de julho de 2017

Suicídios



«Invocar suicídios fictícios, para tirar dividendos políticos, é o grau zero da política. Já nem é política.»
In Jornal de Negócios
02 de julho de 2017

sexta-feira, 31 de março de 2017

Sold!


Hoje é o dia da venda. O dia da venda do Novo Banco, que mais não é do que aglomerado dos melhores dos maus despojos do velho banco, o BES.

É um bom negócio para o Estado e para o país? Não sei e acho que ninguém sabe. Talvez daqui por uns anos seja mais claro que sim ou não.

Há riscos, já conhecidos e dissecados na comunicação social, especialmente agravados pelo posicionamento da Comissão Europeia, penalizadora da nossa posição.

Mas, apesar de tudo, quando se chegou a temer que não seria possível vender, que ninguém queria o banco, que todas as soluções eram más, este acaba por ser um dia positivo. Uma vitória para o país e para o Governo.

O banco foi vendido à última hora, mas foi vendido.

Talvez tenham sido as melhores condições, mas foi vendido. Pode agora caminhar pelo seu próprio pé.

É um risco que temos de assumir de as coisas poderem correr mal, mas podem correr bem e aí valeu a pena.

Em síntese, penso que demos hoje um grande passo do ponto de vista da sustentabilidade do sistema bancário, com futuro impacto económico e financeiro.

Adeus Novo Banco! Adeus BES!

sábado, 25 de março de 2017

Distribuir sem crescer


“As atenções (e despesas) foram concentradas na formulação de um modelo de distribuição, como se ainda houvesse modelo de desenvolvimento. Não se distribui o resultado do crescimento, distribui-se dívida como se fosse crescimento.”

Joaquim Aguiar dixit in Jornal de Negócios

domingo, 19 de março de 2017

Os servis..


Quem não se cruzou já com esta subespécie da raça humana? Sim, uma raça comumente encontrada nos locais de trabalho.

Vão dos mais subtis, até ao mais descarado e irritante.

Vão daqueles que mantém alguma dignidade, àqueles que se transformam em tapete.

Aos seus superiores e superiores afins, dirigem-se com respeitosos tratamentos, que vão do mero Sr. Dr. ao Exmo. Sr. Dr. ou mesmo V.Exa…

Se há personagem merecedoras de tal tratamento, e aqui estou-me a lembrar de um Presidente da República ou 1.º Ministro, pelo cargo que ocupam, noutros casos a sua utilização são o primeiro e alarmante sinal de um comportamento servil.

O servilismo, se assim o podemos chamar, chega a ser nojento e é quase sempre uma fonte de competição desleal.. quem não é servil e, mais, pratica o culta da independência e um certo distanciamento, em contexto de servilismo, parte atrás na grelha de partida.

Trata-se de uma caraterística muito portuguesa, que apesar de ser hoje menos vulgar, ou visível talvez, ainda abunda por esta terras.

Abaixo o servilismo!

quarta-feira, 15 de março de 2017

Raposa no galinheiro!


«Nomear um fiscalista com o passado e o futuro de Paulo Núncio para mandar na Autoridade Tributária é a mesma coisa de que meter uma raposa no galinheiro. A raposa pode prometer ser vegetariana, mas no final do dia o seu instinto prevalecerá.»

Manuel Carvalho dixit in Público

quarta-feira, 8 de março de 2017

A ameaça/oportunidade europeia


Depois do inesperado BREXIT e inacreditável eleição de Trump, aproximam-se agora as perigosas eleições na Holanda, França e Alemanha.

Não sabemos que Europa irá resultar destes atos eleitorais, mas como vão adiantando as sondagens e os media, há uma forte possibilidade de viragem à direita.

O perigo destas potenciais viragens à direita, de cariz populista, é trazer a si amarrada a intenção de saída do euro e, mais do que isso, a saída da própria União Europeia.

Apertem os cintos, a primeira eleição, na Holanda, é já dentro de dias. Segue-se a França e lá mais para o fim do ano a Alemanha.

Se o pior acontecer (é plausível de suceder, tal como ocorreram os fenómenos BREXIT e Trump), Portugal terá muito a perder.

As ondas de choque do caminho para a desagregação europeia, o regresso dos nacionalismos e os estados europeus a fecharem-se sobre si mesmos, serão naplan sobre a economia, acesso aos mercados financeiros e sobre a sociedade.

Depois de um primeiro forte impacto, Portugal terá algumas oportunidades.

Desde logo, apesar da sua solução governativa portuguesa não ser brilhante, tem mostrado estabilidade e cumprido aquilo que é exigível. Uma solução que não tem cedido a populismos e que é já estudada e tida como exemplo por outros países.

Por outro lado, alguns investimentos poderão ser canalizados para o nosso país, onde a segurança, a qualidade e baixo custo da mão de obra são abundantes.

terça-feira, 7 de março de 2017

Notícias (importantes) da última semana


A par de outras noticias, mais do esperto político, a semana passada foi rica ao trazer-nos importantes novidades noutras áreas.

Apesar de serem temas tratados em segundo plano, muito atrás do “assalto ao castelo”, caso SMS e da fuga de 10 mil milhões de euros para offshore, são quanto a nós temas da maior importância em termos futuros.

Estamos concretamente a falar da:

Proposta para o fim das ações ao portador;

Proposta para o fim dos pagamentos em numerário acima de 3.000€ (princípio do fim do dinheiro físico);

Obrigatoriedade de cada cidadão dispor de uma caixa postal eletrónica.

Se o fim das ações ao portador trazem clareza e transparência relativamente aos reais detentores das empresas, a proposta de fim dos pagamentos em numerário acima dos 3.000€ traz, para além de transparência, constitui-se como um importante contributo à economia paralela, controlo fiscal e representa o princípio do dinheiro físico (isto associado ao surgimento de diversas apps que permitem o pagamento desmaterializado).

Já a caixa postal eletrónica pública, permitirá que o Estado (em todas as suas funções, p.e. segurança social, finanças, justiça, saúde) notifique de forma centralizada e desmaterializada os cidadãos dos atos nos quais são interessados.

quarta-feira, 1 de março de 2017

E o óscar para melhor caso vai para…


Para o caso dos SMS… sobem ao palco os responsáveis para receção da estatueta e avançam os discursos da praxe… 

Começa por falar António Domingues, de seguida intervém Centeno… esperem Teodora Cardoso sobe ao palco, interrompe o discurso retira bruscamente todas as estatuetas aos presentes e anuncia um engano…

Afinal o caso dos SMS não é o vencedor, mas sim o caso dos 10 mil milhões viajados para offshore!!

Sobem agora triunfantes e sorridentes Mª Luís Albuquerque, Paulo Núncio e, como não podia faltar, Passus Coelhu.

Espanto geral na sala, pela situação caricata criada…

Irrompe um burburinho geral, afinal estes 10 mil milhões viajara livremente, numa época em que o Fisco se encontrava numa guerra sem quartel contra faturas e faturinhas dos cafés, cabeleireiras e oficinas, a sortear automóveis para colocar o contribuinte a trabalhar, a penhorar tudo o que mexia e sem olhar a meios, seja casa de família ou empresa geradora de rendimentos…

Ficam assim muito bem entregue as estatuetas!

Venham agora os discursos…

O poder da experiência..


«Quando uma pessoa com dinheiro conhece uma pessoa com experiência, a que tem experiência fica com o dinheiro e a que tem o dinheiro fica com a experiência.»

Warren Buffet

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Centeno, casos e julgamentos


As notícias em torno dos SMS da Caixa Geral de Depósitos, mas especialmente os ataques da oposição ao ministro das finanças sobre este tema estão a tornar-se doentios e demonstram uma subcapa (senão mesmo capa) da política nacional.

Uma política centrada em mexericos, em casos e outros acontecimentos muito específicos, que embora tenham o seu interesse, não justificam que os principais políticos, os partidos, o parlamento, media e o país em geral se detenha sobre eles semanas a fio.

Para nós, prolongar casos como o dos SMS, por estar envolvido o ministro das finanças e, simultaneamente, por estar o país como está em matéria de economia e finanças, são de enorme irresponsabilidade. Seja que partido for, não está aqui em causa a cor partidária, mas sim o senso de perceber que o caso não justifica que a credibilidade financeira (pouca como sabe) nacional seja mais uma vez colocada em causa.

Não estou a falar de um silenciamento e que os assuntos não possam ser analisados e debatidos. Considero é que se pode fazer uma abordagem inteligente, estratégica aos temas, de forma a não prejudicar a imagem nacional já tão beliscada e em processo de regeneração.

Já para não falar que, por vezes, se discutem episódios de menor relevância, face outros, como é o caso da recente notícia da fuga de capitais para offshore, de superior importância.

Não sei se Centeno tem sido, é e ficará para a história como um bom ministro das finanças. Não sei se é mentiroso, habilidoso com os números ou não.

Sei que a história no médio longo prazo trará clarividência sobre o seu trabalho e do governo nestas matérias.

Para já tem tido um mérito, tem cumprido ou superado as metas fixadas, assim como as expetativas internacionais.

Sinceramente, para o bem de todos, espero que estejamos perante o melhor ministro das finanças da democracia e/ou da nossa história.
 
Merecemos, pelo esforços que temos feito, essa sorte!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Quinta feira e outros dias…


Hoje é quinta-feira.

“Quinta feira e outros dias” é o título de uma obra adjeta, inoportuna e desnecessária, de alguém que se serviu do nosso país durante décadas e que agora resolveu trazer à luz do dia.

Não li esse compêndio travestido de obra literária ou memórias não sei do quê, não quero ler e sugiro vivamente que se mantenham distantes da mesma.

Uma obra que vem poluir o horizonte. O seu insucesso será o caminho para o nosso sucesso.

Desculpem-me, apesar de não ser esse o estilo, tinha de extravasar as emoções que inundam as minhas diversas camadas cutâneas e subcutâneas.

Não há paciência e muito menos estômago.

Portugal e os portugueses estão fartos.

Pensei que 2017 seria já um ano limpo dessa peçonhenta personagem, do seu pensar e modo de agir, mas ao que parece o seu autoclismo tinha mais uma (esperemos que última) descarga.

Chega… afaste-se de vez… deixe o país respirar e viver a salvo da mesquinhez, do espírito tacanho e da vingança fria e ultrapassada.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A retoma vê-se na estrada


Com o conforto dos números do crescimento, com registos acima da expetativas e das previsões mais pessimistas às mais otimista, a retoma parece querer instalar-se.

Para quem anda na estrada, especialmente na região da grande Lisboa, é indisfarçável o aumento de viaturas em circulação e o aumento/avolumar das filas de trânsito.

A BRISA já tinha revelado que o tráfego nas suas autoestradas cresceu a dois dígitos no último ano. E a venda de automóveis cresceu como não se via há meia dúzia de anos.

Dada a nossa matriz de mobilidade, este é um dos primeiros sinais que a nossa economia está a mexer.

Muitos portugueses têm hoje mais uns tostões para gastar, gastam-nos de diversas maneiras, mas uma larga fatia destina-se à mobilidade individual. Mesmo que não tenham uns mais tostões para gastar, parece haver uma maior propensão para o consumo.

Será este o melhor que o consumo tem para nos oferecer em termos económicos. Tal vez não, mas a tal opção ideológica da geringonça, parece estar a invadir as veias dos portugueses.

O consumo em si mesmo não é mau. Só é se for desequilibrado e excessivo, isto é, se ocorrer com base em crédito, bens importados e capturar o espaço do investimento e poupança.

Aquele consumo que resulta de trocas realizadas dentro do nosso país/economia é benévola, especialmente se respeitar as variáveis de que falamos.

O acelerar e avolumar destas trocas é positivo, produz crescimento. Resta esperar que o investimento, especialmente o externo, dê sinais igualmente positivos.

Entretanto vamos crescendo pela via motorizada…

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O triunfo da irracionalidade


Com a eleição, tomada de posse e primeiras semanas da presidência de Donald Trump, o mercado bolsista americano tem vivido tempos de uma certa euforia, batendo-se novos recordes.

De repente, a inflação atinge níveis que não eram vistos há algum tempo, assim como o crescimento e emprego brilham como nunca.

Os mercados estão a surfar uma onda que, alegadamente, é boa. Com bons números. Talvez para si. Talvez seja no curto(íssimo) prazo, mas no médio/longo prazo a onda terá certamente outros efeitos, já para não falar dos efeitos corrosivos que algumas medidas e o próprio balanço estão a ter e terão sobre valores fundamentais.

Os mercados ligam mais aos números, pouco ou de forma enviesada para os elementos intangíveis e vivem numa quase profunda cegueira em termos políticos.

Quem se preocupa então com a política? Com os direitos fundamentais? Com a liberdade? Com a justiça? Com o estado de direito? Com a igualdade? Com a democracia?

Se os mercados não se preocupam, sendo eles, cada vez mais, o centro das decisões do mundo e bastião da racionalidade, quem zela pelos superiores interesses do mundo? Das pessoas?

Vivemos numa era pós Obama.  Num mundo mais incerto, imprevisível e perigoso.

Neste contexto, a racionalidade dos mercados serve apenas os interesses de alguns agentes económicos.

Esta racionalidade de pendor económico, com as suas próprias falácias, cega, traduz-se numa triunfante irracionalidade.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O mundo (e Portugal) está assim tão mal?


«A pobreza cai a pique, a mortalidade infantil também, cada vez mais pessoas sabem ler e enquanto planeta estamos cada vez mais livres. Então porque é que parece que vamos de mal a pior? 

Acha que o mundo em geral está a ficar pior, melhor, ou nem uma coisa nem outra? Uma sondagem conduzida em vários países pela empresa de sondagens YouGov mostrou que apenas 3% das pessoas em França e 4% das pessoas no Reino Unido acreditam que o mundo está a melhorar. Mesmo no país mais otimista — a China — só 41% pensam que as coisas em geral estão a ficar melhores.»

Acabamos de citar o texto introdutório de uma peça jornalística do jornal Eco Online, de 21 de janeiro de 2017 (que podes visitar aqui), a qual se foca em cinco vertentes (saúde, pobreza, liberdade, educação e população) para provar e concluir que, apesar das perceções afinal o mundo tem progredido no bom sentido, que estamos melhor do que estávamos no passado e que os progressos tem sido enormes. O mundo está melhor!

Uma reportagem sintética e fundamental.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Para ti meu amor...


Para ti
Meu amor
Levanto a voz
No silêncio
Desta solidão em que encontro
Sei que gostas de ouvir
A minha voz
Feita de palavras ternas e doces
Que invento para ti
Nos momentos calmos
Em que estamos sós


Sei que me ouves
Agora...
... Uma vez mais
Apesar da distância
 

E do silêncio
Minha querida opera esse milagre
Simples
Como tudo o que é natural

Ouvir bem no fundo do coração
As palavras não ditas
Mas sentidas.


Mário Soares

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Os 10 gráficos que marcaram 2016..



O Jornal online Eco - Economia online, no dia 27/12/2016, publicou uma notícia com «dez gráficos que marcaram o ano e permitem tirar um instantâneo da economia portuguesa. 2016 foi um ano de recordes, embora nem todos tenham sido positivos». 

Publicação fundamental a não perder aqui.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Serviços públicos de volta ao Estado e/ou Municípios..


Os últimos tempos têm sido pródigos em casos de serviços de públicos entregues a privados ou empresas públicas que voltam à Administração Pública.

Os casos mais sonantes são: o da Carris e a sua passagem para a alçada da CMLisboa (municipalização); a possível passagem da administração do hospital de Cascais, atualmente em regime de parceria público privada, para a égide do Serviço Nacional de Saúde; e a passagem da gestão da água e saneamento de Mafra para CMMafra, atualmente sob responsabilidade de privados.

No que toca ao caso da água e saneamento de Mafra, a decisão está tomada e irá permitir descer as tarifas da água em 5%, quando o atual concessionário se preparava para aumentar as tarifas em 30% (pedido de reequilíbrio financeiro previsto no contrato). A Câmara Municipal de Mafra deliberou, por unanimidade, na prossecução do superior interesse público municipal, iniciar o processo de resgate da concessão do serviço público de abastecimento de água e de reversão do serviço público de saneamento de águas residuais (em baixa), com vista à assunção da gestão integral dos referidos serviços pelo Município de Mafra. Não deixa de ser curioso destacar que o município é marcadamente de orientação social democrata e os destinos da respetiva câmara são controlados pelo Partido Social Democrata.

Já a passagem do hospital de Cascais para mãos públicas é apenas e só, pelo menos para já, uma hipótese. Encontra-se em curso tendo em vista o estabelecimento de uma PPP que seja mais vantajosa para o Estado e para os destinatários dos cuidados de saúde. Se essas propostas não aparecerem ou se a proposta de valor não for identificada como tal, tendo em conta o interesse público, o hospital poderá vir a integrar a rede pública do Serviço Nacional de Saúde.

No caso da Carris, com mais eco na comunicação social, a passagem para CMLisboa permitirá efetuar investimentos importantes em equipamento de transporte, contratação de pessoal, criação de novas carreiras, melhor gestão operacional e, espera-se, financeira, ficando toda a dívida acumulada na administração central do estado.

Estes movimentos, especialmente a passagem da gestão privada para a pública, vêm provar que é possível ser mais eficiente na gestão pública, que nem sempre a gestão privada é melhor que a pública. Por outro lado, fica claro que os municípios Têm um papel muito importante nesta matéria, dão exemplos de boa gestão financeira e também operacional, daí que fenómenos de remunicipalização possam ser mais frequentes nos próximos tempos.

Eliminando a lógica de maximização do lucro, imperativa na gestão privada, a gestão pública melhora o acesso e a qualidade dos serviços. A gestão pública também permite aumentar significativamente o investimento, porque reinveste os lucros nas infraestruturas, respeita os direitos laborais, tende a preservar o ambiente e a ser mais transparente.

Ficaremos por aqui? Com os ventos políticos, económicos e financeiros talvez estes sejam os primeiros casos entre muitos.